O presidente da Petobras, Pedro Parente, disse nesta quarta-feira (3) que a venda do bloco exploratório BM-S-8 para a Statoil Brasil Óleo e Gás na semana passada foi estratégica, já que algumas de suas características não eram “interessantes”. Esse foi primeiro campo do pré-sal que a petroleira colocou à venda.Pedro Parente, presidente da Petrobras, na chegada a evento no Rio de Janeiro, na manhã desta quarta-feira (3).

(Foto: Cristiane Caoli/G1)
“Porque para nós Carcará é um campo de menor interesse? Para nós, o Carcará tem algumas características que não são interessantes. É um campo de elevadíssima pressão, portanto, exigirá despadronizar os demais campos da empresa, exigirá desenvolvimento de equipamentos, válvulas que não estão desenvolvidas hoje e que são mais caras.

Você precisa realmente de equipamentos seguros”, justificou o presidente.
De acordo com Parente, a localização do campo também foi considerada na decisão do conselho de administração de vendê-lo.

 
“Este campo é um campo isolado dos demais campos da empresa..

. feograficamente afastado.

Quando nós temos campos no mar, a gente precisa de estrutura de apoio, que existe em campos próximos, e nesse caso não poderia ser dividida. E não temos gasoduto.

Precisaríamos desenvolver gasoduto”, afirmou. Segundo o executivo, o campo exigiria uma investimento de 5 a 10 anos, que poderia chegar a US$ 13 milhões.

O programa de desinvestimentos da Petrobras de 2015/2016 é da ordem de US$ 15 bilhões. “Nossas operações.

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já encerramos quase US$ 3,7 bilhões.”Plataforma Cidade de São Vicente, da Petrobras, em operação na Bacia de Santos (Foto: Divulgação/Petrobrás)Na semana passada, a petrolífera informou que o preço base negociado para a participação no bloco é de US$ 2,5 bilhões.

A primeira parcela, correspondente a 50% do valor total, será paga no fechamento da operação.
O bloco está localizado na Bacia de Santos, e é atualmente operado pela Petrobras (66%) em parceria com a Petrogal Brasil S.

A. (14%), Queiroz Galvão Exploração e Produção S.

A (10%) e Barra Energia do Brasil Petróleo e Gás LTDA (10%).
Em nota, a Petrobras afirmou que a operação fazia parte da política de gestão da Petrobras, “que prioriza investimentos em ativos com maior potencial de geração de caixa no curto prazo e com maior possibilidade de otimização de capital e de ganhos de escala, devido à padronização de projetos de desenvolvimento da produção”.

“A transação é parte importante do Plano de Parcerias e Desinvestimentos 2015-2016 da Petrobras e sua conclusão está sujeita a determinadas condições precedentes usuais, incluindo o direito de preferência por parte dos demais parceiros no BM-S-8 e a aprovação pelos órgãos competentes.”
A transação, definida pelo diretor financeiro Ivan Monteiro como “espetacular”, foi motivada pelos elevados investimentos que o bloco demandaria até a entrada em produção, prevista para após 2020, o que evidencia a estratégia da companhia de rever seu portfólio de ativos com prioridade para a manutenção daqueles que podem agregar reservas ou geração de caixa para a companhia no curto prazo.

Plano de venda de ativosPara enfrentar a escalada da sua dívida, a estatal anunciou um programa de desinvestimentos, que prevê vendas de ativos de mais de US$ 14 bilhões até o final do ano.
Na véspera, a diretoria executiva da Petrobras aprovou a condução de negociações exclusivas com a mexicana Alpek para a venda de sua participação na Companhia Petroquímica de Pernambuco (Petroquímica Suape) e na Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe).

Na quarta-feira (27), a Petrobras comunicou que finalizou a operação de venda da totalidade de sua participação de 67,19% na Petrobras Argentina (PESA) para a Pampa Energía, em transação de US$ 897 milhões.
No dia 22, a Petrobras assinou o contrato de venda de 100% de sua filial no Chile, a Petrobras Chile Distribuición (PCD), detida através da Petrobras Caribe, em negócio estimado em US$ 464 milhões.

Também no dia 22, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou alterar o modelo de venda de uma parte da BR Distribuidora. Pelo novo modelo, a Petrobras passará a poder compartilhar o controle de sua unidade de distribuição de combustíveis.

No novo processo, segundo o texto, a Petrobras deverá deter uma participação de 49% no capital com direito a voto, mas ficará majoritária no capital total (acionistas com e sem direito a voto).
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Fonte: G1