A advogada Ana Carolina Palhares e o marido, Thiago Silva, que tiveram passagens canceladas pela Emirates; eles marcam em mapa lugares visitados no mundo (Foto: Ana Carolina Palhares/Arquivo Pessoal)
Clientes “abandonados” pela companhia aérea Emirates criaram um grupo em uma rede social com mais de 250 pessoas que tiveram passagens com tarifa zero para a Austrália e Líbano canceladas pela empresa. As passagens foram colocadas à venda em agências de viagens e na página da companhia na madrugada da última quinta-feira (16). Pela oferta, os clientes pagariam apenas a taxa de embarque.

A empresa diz que houve um erro.
O jornalista mineiro Roberson Balsamão, criador do grupo, disse ao G1 ter comprado 16 passagens – para ele e outras 15 pessoas, incluindo a mãe, a cunhada, a namorada e até um primo dela.

Ele pretendia embarcar por dez dias para Austrália e Dubai, uma das escalas da viagem. Com as taxas de embarque, ele desembolsou R$ 8 mil.

“Quando comprei na quinta, todo mundo comemorou. Minha cunhada até chorou emocionada.

Eu estava muito satisfeito por poder levar todo mundo comigo. Tinha até feito a seleção dos assentos no site da Emirates”, disse o homem de 30 anos, acostumado a comprar passagens em promoção.

Ele afirmou que o site da companhia não deixava claro que o preço cobrado era só referente às taxas de voo. “Quando você acessa o site, tem valores mais altos e outros mais baixos.

Para mim, era uma promoção normal”, contou. “Ainda não tive coragem de contar para todos da família.

Alguns ficaram totalmente insatisfeitos.”Grupo em aplicativo criado para clientes falaremsobre compra da Emirates (Foto: Reprodução)
Balsamão já tinha começado a pesquisar hotéis e outras opções de hospedagem.

A viagem iria acontecer em outubro. Se a Emirates não voltar atrás, ele adiantou que vai acionar a Justiça contra a empresa, que tem sede nos Emirados Árabes Unidos.

“Já viajei com a empresa e é uma companhia de atendimento único, impar. Merece o título de uma das melhores, e o que nos assusta é justamente isso.

Como uma das melhores companhias do mundo não vai honrar uma promoção que foi anunciada no site dela?”, questiona.Comemoração canceladaA viagem de 15 dias para a Austrália em novembro seria uma oportunidade de a advogada de Brasília Ana Carolina Palhares comemorar os seis anos de casamento com o marido, o servidor público Thiago Silva – que também faz aniversário na época.

O tíquete virtual confirmando a passagem chegou a ser emitido, disse ao G1.
“Ia ser a viagem dos sonhos.

Eles têm que honrar a compra porque o tíquete chegou a ser emitido”, lamentou. Ela chegou a pedir férias do trabalho, reservar hotel e contratar seguro de saúde.

Caso tiver de cancelar tudo, o prejuízo pode ultrapassar R$ 1.640.

Não é a primeira vez que ela passa por uma situação parecida. Em 2014, ela fez parte do grupo que comprou passagens para a Europa pela KLM por R$ 282 ida e volta.

À época, a empresa disse que as tarifas foram “acidentalmente carregadas no sistema”. Mesmo assim, a companhia optou por honrar as viagens.

Interior de um avião da Emirates (Foto: Raul Zito/G1)
“Quando o passageiro erra o nome ou a data na passagem, tem que pagar taxa para alterar. Se eu tenho que arcar com meus erros, a empresa tem que arcar com o dela também”, afirmou.

Ela disse que pretende entrar na Justiça contra a Emirates, caso a empresa não volte atrás.’Tudo pago’Ao comprar as passagens na quinta, a comerciante de Natal (RN) Lílian Magalhães via a chance de reencontrar a filha que está em um intercâmbio na Austrália há um ano.

Estudante de engenharia mecânica, a jovem de 22 anos está do outro lado do planeta pelo programa Ciências sem Fronteiras.
Quando o passageiro erra o nome ou a data na passagem, tem que pagar taxa para alterar.

Se eu tenho que arcar com meus erros, a empresa tem que arcar com o dela também”
Ana Carolina Palhares, advogada que comprou passagem da Emirates
“Era a chance que eu ia ter de ver minha filha de novo porque as passagens são muito caras. A gente não se vê desde quando ela foi.

Já estava tudo pago, tudo planejado e acontece um cancelamento desses”, lamentou. “Falaram que foi problema no cartão, mas já tinha recebido mensagem de que foi debitado.

Acho que é desculpa.” Pelas taxas de embarque, a comerciante pagou R$ 473.

Para ela, a situação é decepcionante. “Minha filha ficou feliz demais no dia.

Depois viu a informação no site de que tinha sido cancelado. Isso mexe com o emocional da gente.

Ainda quero entrar na Justiça. Não é possível.

Ainda existe lei no Brasil.”Sem informaçõesEm nota publicada na página de uma das empresas que vendia passagens pela internet, a Emirates informou que houve um “erro técnico no carregamento das tarifas no sistema online de reservas”.

O problema, segundo a empresa, durou três horas. A companhia aérea diz na nota que vai reembolsar os passageiros que não quiserem remarcar as passagens pagando a tarifa correta.

A cliente Lílian Magalhães protesta contraa informação de que a viagem dela foi cancelada(Foto: Lílian Magalhães/Arquivo Pessoal)
Na página oficial da empresa, porém, não havia nenhum comunicado a respeito do cancelamento até o início da tarde deste sábado. Ao G1, no número disponibilizado para atendimento a clientes, a funcionária que atendeu ao telefone informou que só conseguiria dar informações se fosse informado o número do tíquete aéreo.

Outro casoNa ocasião envolvendo a KLM em dezembro de 2014, o Procon orientou que os consumidores que se sentissem prejudicados procurem os órgãos de direito do consumidor para garantir o cumprimento da compra.
Para o diretor de operações do Reclame Aqui Diego Campos, “o consumidor pode sim abrir queixa, pois a oferta de passagens é um serviço que não tem preço padrão, não sendo raro encontrar passagens a este preço”.

Segundo a coordenadora institucional da Proteste, entidade de defesa de consumidores, Maria Inês Dolci, a empresa deve sempre informar rapidamente o público sobre eventuais erros em ofertas.
US$ 1.

749, cerca de R$ 6 mil, era o preço promocional de passagem de ida e volta vendida neste sábado pela empresa para Brisbane, na Austrália
“Tem a questão de equlíbrio econômico e financeiro da empresa. Mas, se ela cometeu algum equívoco, tem que assumir a responsabilidade de honrar a venda uma vez que não veio a público dizer que houve falha e os consumidores continuaram comprando”, afirmou, sobre o caso da KLM.

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Fonte: G1