Conar abriu processo para julgar ‘digitau’ com ‘u’ de nova campanha do Itaú (Foto: Divulgação)
O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) decidiu nesta terça-feira (29), por unanimidade, arquivar o processo aberto contra a propaganda do Itaú, na qual o banco lançou sua nova assinatura para plataformas digitais – o “Digitau” com “u”.
O órgão tinha aberto em janeiro um processo após receber reclamações de consumidores que viram no trocadilho um “risco” para as crianças. Para alguns pais, o comercial pode induzir crianças a aprender e a escrever errado.

O Itaú não comentou a decisão.
Na ocasião da abertura do processo, o banco argumentou que o termo “digitau” “é apenas um jeito bem-humorado e publicitário de apresentar o novo apelido do Itaú para sua atuação no mundo digital”.

Produzida pela agência Africa, a propaganda estreou no dia 14 de janeiro e trouxe crianças cantando “Ele é o banco digital. Ele é o ‘digitau’ com ‘u'”.

Assista ao vídeoEm comercial de O Boticário, mulheres surpreendem ex-maridos no dia do divórcio (Foto: Reprodução/YouTube)Boticário também é absolvidoNa reunião desta terça-feira, o Conar também “absolveu”, por unanimidade, a campanha de O Boticário que mostra a história de casais em processo de separação. Consumidores pediram a retirada do ar do filme, que foi acusado de “reforçar estereótipos machistas”.

Criado pela AlmapBBDO e lançado no final de dezembro, o comercial apresenta 3 casais em processo de separação que falam sobre os motivos que levaram so término da relação. Na sequência, a marca de cosméticos propõe deixar essas mulheres mais bonitas para o dia da assinatura do do divórcio.

O filme termina mostrando a reação de surpresa dos ex-maridos. Assista ao vídeo
Em comunicado, a empresa disse que a decisão do Conar “está alinhada à crença da marca, representada pela assinatura Acredite na Beleza, que valoriza a beleza presente na atitude, na autoconfiança e no olhar positivo sobre a vida, destacando como as pessoas se tornam mais seguras, confiantes e dispostas a despertar o que há de melhor em sua essência quando se sentem bonitas”.

Em ambos os casos, ainda cabe recurso contra a decisão ao próprio Conselho de Ética do Conar.Como funciona o ConarAs medidas do Conar não têm força de lei e o conselho não tem poder de determinar multas.

Mas, regra regral, as decisões recomendando alterações ou retirada da propaganda do ar costumam ser sempre atendidas pelos anunciantes e agências de publicidade. O órgão informa que desde a sua fundação, em 1978, já instaurou mais de 7 mil processos éticos, que nunca foi desrespeitado pelos veículos de comunicação e que “nas raras vezes em que foi questionado na Justiça, saiu-se vitorioso”.

O Conar abre processos a partir de denúncias de consumidores, autoridades, anunciantes, dos seus associados ou ainda formuladas pela própria diretoria.
Se a denúncia tiver procedência, o Conselho de Ética do órgão Conar recomenda aos veículos de comunicação a suspensão da exibição da peça ou sugere correções à propaganda.

Pode ainda advertir anunciante e agência.
Os casos costumam levar mais de um mês para serem julgados.

Mas o Conar pode recomendar a sustação imediata nas situações de infração flagrante ao Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária.
O Conselho de Ética está dividido em oito Câmara, sediadas em São Paulo, Rio, Brasília, Porto Alegre e Recife e é formado por 180 conselheiros, recrutados entre profissionais de publicidade e representantes da sociedade civil.

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Fonte: G1