A comissão parlamentar de inquérito da Câmara que investiga esquema de compra de sentenças do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão ligado à Receita Federal, aprovou nesta terça-feira (26) a convocação do dono do Grupo Safra, Jospeh Safra, do lobista Mauro Marcondes Machado e da mulher dele, a empresária Cristina Mautoni.
Todos são apontados como integrantes no esquema de pagamento de propina investigado pela Operação Zelotes.
Na semana passada, a Justiça Federal do Distrito Federal acolheu denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra Jospeh Safra, por supostamente pagar propina para obter decisões favoráveis do Carf.

Segundo o MPF, a propina foi paga para que servidores interferissem em três processos de interesse da empresa JS Administração de Recursos – sociedade empresarial do grupo Safra.
Em nota enviada ao G1 na semana passada, a JS Administradora afirmou que “suspeitas levantadas pelo Ministério Público são infundadas”.

O grupo disse ainda que nenhum representante da JS Administração de Recursos ofereceu vantagem para qualquer funcionário público. “A JS não recebeu qualquer tipo de benefício no Carf.

Portanto, não há justa causa para o processo”, informa a nota.
Já Mauro Marcondes Machado e Cristina Mautoni são acusados de intermediarem, em nome das empresas que os contrataram, a compra de sentenças do órgão tributário.

Tanto Marcondes Machado quanto Joseph Safra foram alvos da Operação Zelotes, da Polícia Federal, que investigou o suposto esquema de venda de sentença do órgão para abater multas aplicadas pelo Fisco.
Em depoimentos à Justiça Federal, no julgamento da primeira ação da Zelotes, Marcondes e Cristina Mautoni negaram irregularidades.

Marcondes disse que atuava como lobista, na defesa legítima dos interesses das empresas que o contrataram, sem pagar ou oferecer propina.
O nome de Mauro Marcondes ficou conhecido após a operação Zelotes apontar relação do escritório dele com empresa de Luís Cláudio, do filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As investigações indicam que escritório Marcondes e Mautoni pagou à empresa LFT, de Luís Cláudio, R$ 1,5 milhão.
Segundo o advogado do filho de Lula, no depoimento dado no ano passado, Luis Cláudio explicou que a LFT prestou serviços à Marcondes e Mautoni nos anos de 2014 e 2015 e, por este motivo, recebeu os valores que foram contratados.

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Fonte: G1