A logo da empresa de telecomunicações Oi é vista em um shopping de São Paulo em outubro de 2013 (Foto: Nacho Doce/Reuters/Arquivo)
O pedido de recuperação judicial da Oi pode causar um prejuízo de R$ 40 milhões na região de Campinas (SP). Principal polo tecnológico do país, a região concentra parte dos fornecedores da maior operadora em telefonia fixa do país e quarta em telefonia móvel.
Na lista de quase 400 páginas com os credores da empresa, publicada no Diário de Justiça do Rio de Janeiro, estão 22 da região como a Fundação CPqD, com um crédito de R$ 9,6 milhões, a Padtec, que fornece tecnologia para ampliação da fibra óptica da Oi e que tem a receber pouco mais de R$ 4,5 milhões, e a Coppersteel Bimetálicos, que fornece fios telefônicos de aço, cobre e alumínio e tem a receber pouco mais de R$ 7,6 milhões.

Os descontos na lista de credores oscilam entre 40% e 90%, em média, e os valores ainda são parcelados. Isso para os pequenos e médios é muito crítico”
Sérgio Emerenciano, advogado especialista em recuperação judicial
Até mesmo o Procon de Campinas está entre os credores.

Segundo a entidade de defesa do consumidor, a quantia é referente a uma decisão em primeira instância administrativa, de 2013, em que a Oi foi atuada por irregularidades no seu Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).Prcesso demoradoO especialista em recuperação judicial, Sérgio Emerenciano, que fez o levantamento dos credores na região, explica que a recuperação judicial de uma empresa costuma demorar e envolve três premissas básicas: descontos altos nas dívidas existentes, carência de anos para início do pagamento e ainda o parcelamento.

O problema, explica o especialista, é que, neste meio tempo, pequenos e médios fornecedores podem não ter fôlego e acabar demitindo funcionários ou mesmo fechar as portas. 
“É um caminho longo.

Minha experiência mostra que os descontos na lista de credores oscilam entre 40% e 90%, em média, e os valores ainda são parcelados. Isso para os pequenos e médios é muito crítico”, ressalta Emerenciano.

Com exceção das dívidas trabalhistas, na recuperação judicial comum não há limite legal para o prazo no pagamento das dívidas, existindo casos em que o pagamento supera cinco anos.
Na segunda-feira (27), em relatório divulgado ao mercado, a agência de classificação de riscos Fitch Ratings afirmou que as perspectivas para chegar a um acordo rápido entre os numerosos pequenos credores e fornecedores da Oi não são boas, uma vez que a “perspectiva de obtenção de rápido acordo entre os vários credores e fornecedores da Oi não parece favorável, sobretudo diante de notícias veiculadas na imprensa indicando que a empresa tem feito lobby por um desconto de 50% da dívida”.

“É uma situação bem delicada para os pequenos e médios empresários. São mais de R$ 40 milhões a receber na região, é um dinheiro que deixa de entrar nas cidades.

As instituições financeiras operam com garantias, já as empresas fornecedoras ficam mais expostas. Analisando a relação de credores da região de Campinas a gente percebe que são empresas de médio e pequeno porte da área de tecnologia como fornecedores de cabos e equipamentos.

Essas empresas não pedem garantias quando fecham um contrato”, explica o advogado.
O G1 entrou em contato com os maiores credores da lista, mas a maioria preferiu não comentar o processo.

O Procon Campinas informou que o processo se encontra em fase recursal e, caso a decisão seja mantida, o caso seguirá o rito normal para cobrança, como todos os demais casos tratados pelo órgão.O que é recuperação judicialA recuperação judicial é o mecanismo através do qual as empresas em dificuldade financeira tentam reestruturar a dívida com credores.

A lei 11.101, sancionada em 9 de fevereiro de 2005 pelo Presidência da República, regula a recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade.

O pedido de recuperação da operadora é o maior já aberto no Brasil, e cita R$ 65,4 bilhões em dívidas. Nos próximos seis meses, credores e empresa deverão chegar a um acordo.

Se isso não ocorrer, a empresa terá a falência decretada.Confira a relação dos 10 principais credores da região:
Empresa
Valor em reais
Cidade
Fundação CPqD
9,6 milhões
Campinas
Coppersteel Bimetálicos
7,6 milhões
Campinas
Mpt Fios e cabos especiais
7,4 milhões
Indaiatuba
Amphenol Tfc do Brasil
7,1 milhões
Campinas
Tele System Electronic do Brasil
6,9 milhões
Jundiaí
Padtec
4,5 milhões
Campinas
Trópico Sist Telecom Amazônia
2,5 milhões
Campinas
Pires e Ferraz Informática
1,9 milhão
Campinas
3M do Brasil
1 milhão
Sumaré
Procon
1 milhão
Campinas
.

Fonte: G1