A Oi, que na véspera entrou com um pedido de recuperação judicial, encolheu mais R$ 20 bilhões em valor de marcado na Bovespa em pouco mais de 4 anos, segundo levantamento da provedora de informações financeiras Economatica.
Valor de mercado da Oi
Em R$ milhões
Fonte: Economatica
No auge, registrado em 30 de abril de 2012 (ainda antes do anúncio de fusão com a Portugal Telecom), a Oi estava avaliada na bolsa brasileira em R$ 21,3 bilhões, segundo a Economatica. A companhia encerrou o pregão de segunda-feira (20) com valor de R$ 809 milhões ante R$ 1,55 bilhão no final de 2015.

Atualmente, a empresa com maior valor de mercado na Bovespa é a Ambev, avaliada em cerca de R$ 300 bilhões.
No ano, as ações da Oi acumulam queda de mais de 50% na bolsa.

Nesta terça-feira, os papéis da operadora operam em forte queda, chegando a cair 30%.
As ações da Oi seguem trajetória de desvalorização desde 2012.

Os papéis preferenciais (com preferência na distribuição de dividendos) acumularam nos últimos 3 anos quedas anuais de 49% (2013), 76% (2014) e 77% (2015). Já os ordinários (que dão ao acionista direito a voto em assembleias) tiveram perdas anuais de 54% (2013), 74% (2014) e 73% (2015).

As ações da Oi encerraram o ano passado cotadas a R$ 2,40 (ON) e a R$ 1,95 (PN). Na véspera, fecharam a R$ 1,26 e a R$ 0,99, respectivamente.

Nesta terça-feira, chegaram a ser negociadas a R$ 0,98 e a R$ 0,78, na mínima da manhã.Operadora Oi pede recuperação judicial de R$ 65 bilhões/GNews (Foto: Reprodução GloboNews)Recuperação judicialA Oi entrou com pedido de recuperação judicial no Rio de Janeiro para buscar reestruturar uma dívida de R$ 65,4 bilhões e evitar um pedido de falência.

  A Oi é a maior operadora em telefonia fixa do país e a quarta em telefonia móvel, com cerca de 70 milhões de clientes.
O pedido vem após a Oi ter anunciado na última sexta-feira (17) que ainda não havia obtido acordo com credores para tentar reeestruturar sua dívida, considerada impagável.

Segundo a empresa, 60% de seus recebíveis (valores que a empresa tem a receber de clientes decorrente de vendas a prazo) estavam penhorados a bancos brasileiros.Em comunicado, a maior concessionária de telecomunicações do Brasil afirmou que a medida visa, entre outros objetivos, proteger o caixa das empresas do grupo e garantir a preservação da continuidade da oferta de serviços aos clientes.

Segundo a Oi, “o total dos créditos com pessoas não controladas pela Oi listados nos documentos protocolados com o pedido de recuperação judicial soma, nesta data, aproximadamente R$ 65,4 bilhões”.
A empresa também informou que não prevê fazer mudanças no quadro de funcionários ou de gestão das empresas Oi em razão da recuperação judicial.

“Todas as obrigações trabalhistas da companhia e benefícios atuais serão mantidos  normalmente”, disse a empresa.Dívidas e prejuízosEndividada, Oi fechou 2015 com prejuízo de R$ 5,3 bilhões.

No primeiro trimestre de 2016, a Oi registrou prejuízo de R$ 1,64 bilhão e encerrou março com dívida líquida de R$ 40,8 bilhões.
Na última sexta-feira (17), a agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da Oi, de “CCC” para “C” (último nível antes do default), considerando insustentável a atual estrutura de capital da operadora.

No último dia 10, o então presidente da Oi, Bayard De Paoli Gontijo, renunciou ao cargo em meio à crise e discordâncias com sócios portugueses do grupo sobre a forma de reestruturação financeira da companhia.Participação de mercadoA Oi é considerada a maior concessionária de telecomunicações do Brasil.

Segundo dados da Anatel de abril, a Oi detém 18,6% de participação de mercado em telefonia móvel, atrás de Vivo (28,57%), Tim (25,88%) e Claro (25,28%).
Em telefonia fixa, a Oi divide a liderança com a Telefonica (ambas com 34,42% de acessos em serviço), segundo dados de março da Anatel.

Em abril de 2016, a Oi era a quarta empresa com mais linhas ativas na telefonia móvel, segundo a Anatel. Eram 47,6 milhões, o equivalente a 18,6% do mercado de telefonia móvel, segundo a Anatel.

Ficou atrás de de Vivo (28,57), Tim (25,88%) e Claro (25,28%).
Na telefonia fixa, a Oi obteve o primeiro lugar em março junto com a Telefónica, com 14,8 milhões de linhas ou 34,4% do mercado, também de acordo com a Anatel.

Em terceiro ficou a Telecom Americas, com 26,48%.Histórico da empresaA Oi nasceu da reestruturação da antiga Telemar, em março de 2007, quando assumiu o mercado na região Sudeste (exceto São Paulo), Nordeste e demais estados do Norte.

Desde 1997, a telefonia fixa no Brasil estava dividida em três áreas pela provatização do setor de telecomunicações, com a pulverização da Telebrás. A Brasil Telecom ficou com os estados do Sul, do Centro-Oeste e com os estados do Acre, Rondônia e Tocantins e a espanhola Telefônica ficou com o mercado paulista.

Em 2008, a Oi uniu-se à Brasil Telecom para criar uma “supertele verde e amarela”, operadora de atuação quase nacional, com sócios majoritários brasileiros. A mudança afetou mais de 20 milhões de clientes das duas companhias, em um negócio de R$ 5,86 bilhões, acima das expectativas de mercado.

Tradicional logotipo amarelo da Oi deu lugar a diferentes formas e cores. (Foto: Divulgação)Problemas com a Portugal TelecomEm 2013, a empresa anunciou com a Portugal Telecom (PT) um processo de fusão para criar uma empresa chamada CorpCo, que previa um aumento de capital de pelo menos R$ 13,1 bilhões na operadora brasileira.

O negócio surgiria para ajudar a controlar a dívida crescente da empresa.
Mas no ano seguinte, a empresa portuguesa pediu para reformular sua fusão com a Oi ao assumir que teria dificuldades em recuperar os € 900 milhões investidos em títulos da holding Rioforte, do colapsado Grupo Espírito Santo (GES), um dos acionistas da PT.

O objetivo era amortecer o impacto que da falta de pagamento no projeto de ambas empresas. Afundada em seus próprios problemas financeiros, a Portugal Telecom teve sua participação na Oi reduzida para 25,6% desde então.

Em 2014, a Oi contratou o BTG Pactual para tentar fazer uma oferta pela TIM Participações, num esforço para não ficar à margem na consolidação em curso no setor de telecomunicações no Brasil, mas o negócio não vingou. A LetterOne, empresa de investimento do bilionário russo Mikhail Fridman, desistiu do negócio após ter proposto investir até US$ 4 bilhões no negócio.

Depois do fracasso da fusão com a TIM, veio a tentativa de reestruturar a dívida da Oi. No final de maio, a Anatel aprovou a troca de multas não pagas pela Oi por um programa de investimentos ao longo de quatro anos estimado em R$ 3,2 bilhões 
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Fonte: G1