Capa da Economist – A traição do Brasil(Foto: Reprodução/The Economist)
A presidente Dilma Rousseff “decepcionou o Brasil”, diz a revista britânica “The Economist”, em reportagem de capa de sua edição latino-americana. O texto, intitulado “A Grande Traição”, afirma, no entanto, que toda a classe política fez o mesmo.
A reportagem narra a votação, no último domingo (17), do seguimento do pedido de impeachment da presidente Dilma na Câmara dos Deputados, onde foi aprovado por 367 votos a 137.

“A votação vem em um momento de desespero”, diz o texto. “O Brasil está lutando com sua pior recessão desde os anos 1930.

O PIB deve cair 9% do segundo trimestre de 2014, quando a recessão começou, até o final deste ano. As taxas de inflação e de desemprego estão, ambas, perto dos 10%”.

A publicação ressalta, no entanto, que o fracasso não é obra apenas de Dilma. “Toda a classe política decepcionou o país, em um misto de negligência e corrupção.

Os líderes brasileiros não vão recuperar o respeito dos cidadãos o superar os problemas econômicos do país a menos que haja uma limpeza geral”, defende.Terceira capa do CristoÉ a terceira vez que a revista traz a imagem do Cristo Redentor em sua capa, ilustrando as perspectivas sobre o Brasil.

A primeira delas, publicada em 2009, mostrava a “decolagem” do Brasil, quando a economia crescia a uma taxa de 5%.Quatro anos depois, a publicação já se questionava se o Brasil “estragou tudo”.

A economia do país perdia dinâmica, e a revista afirmava que “muitos perderam a fé na ideia de que seu país estava em direção à órbita e diagnosticaram mais um voo de galinha”.Cristo já esteve em outras capas da revista (Foto: Reprodução/The Economist)Não é o fim, mas está próximoA “Economist” lembra que o voto de domingo não é o fim de Dilma, “mas sua partida não pode estar muito longe”.

O Brasil, no entanto, “não deve lamentar”. “A incompetência em seu primeiro mandato, de 2011 a 2014, tornou a situação econômica incomparavelmente pior”.

O texto aponta que o Partido dos Trabalhadores está no centro do escândalo de corrupção na Petrobras, investigado pela da Lava-Jato, mas lembra que Dilma não foi pessoalmente implicada na situação, “embora tenha tentado proteger Lula do processo”.
“O que é alarmente é que os que trabalham por sua saída (de Dilma) são, em muitas maneiras, piores”.

“O PMDB está desesperadamente comprometido”, aponta a “Economist”, lembrando que Eduardo Cunha, presidente do Congresso que decidiu pela admissabilidade do impeachment, é acusado de receber propinas no esquema da Petrobras.
“A mancha da corrupção está espalhada por muitos partidos brasileiros.

Dos 21 deputados implicados no caso Petrobras, 1 votaram a favor do impeachmento. Cerca de 60% dos parlamentares respondem processos criminais”.

País resistenteA publicação diz que, no curto prazo, o possível impeachment não vai resolver a situação, uma vez que o vice-presidente, Michel Temer, deverá enfrentar problemas para ser reconhecido como chefe de governo legítimo.
“Em qualquer outro país, tal coquetel de declínio econômico e conflito político poderia ser explosivo.

Mas o Brasil tem reservas notáveis de tolerância”, diz o texto. “As três últimas décadas sugerem que o país pode suportar uma crise sem recorrer a golpes ou colapsos.

E aqui, talvez, haja um fiapo de esperança”.
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Fonte: G1