Com o prazo para a defesa no processo de impeachment contando aceleradamente – por conta do esforço do comando da Câmara para realizar sessões diárias –, e perdendo apoio a cada dia, a presidente Dilma Rousseff começa hoje uma semana decisiva para o futuro de seu governo. Reuniões da cúpula do PMDB e do Supremo Tribunal Federal (STF) mostrarão se a petista ainda tem chances de reagir diante de um quadro que se agravou profundamente desde as manifestações do último dia 13.O primeiro desafio de Dilma Rousseff se dará amanhã e já é tido como perdido mesmo pelos mais fiéis aliados da presidente.

A não ser que um fato novo consiga, em questão de horas, mudar a tendência abertamente apresentada, o PMDB deverá anunciar oficialmente seu desembarque da gestão petista. Será, na avaliação de membros do Palácio do Planalto, a senha para que outros partidos da base abram mão do apoio e também defendam o impeachment.

É exatamente o efeito dominó, sobretudo nas bancadas de PP, PR e PSD, que já resistem em manter o apoio, que gera preocupação. Por isso, o governo tenta ao menos convencer o comando peemedebista a adiar a decisão.

Até ontem, todas as tentativas da ala governista da legenda nesse sentido haviam fracassado. O governo estima contar hoje com apenas 130 votos seguros para barrar o impeachment na Câmara, distribuídos entre PT, PCdoB e PDT, além de parlamentares isolados em outras bancadas.

Se todos os parlamentares comparecerem à sessão que definirá a aceitação ou não do processo, o governo terá que obter 172 apoios. No PMDB estarão em jogo 69 votos.

PP, PR e PSD somam mais 121.Se desembarcar totalmente, o PMDB também prejudicará outra estratégia do governo, a de barrar o processo no Senado, onde o partido, sob o comando do presidente Renan Calheiros (AL), ainda mantém apoio.

O governo vê como improvável que Renan insista na defesa de Dilma se o partido confirmar o desembarque.Casa Civil.

No dia seguinte da decisão do PMDB, o Supremo Tribunal Federal (STF) volta a se reunir. Na quarta-feira, haverá a possibilidade de que a Corte se manifeste sobre a tentativa de nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao ministério da Casa Civil.

Se o STF confirmar a liminar do ministro Gilmar Mendes e impedir que o petista assuma o cargo, suas ferramentas para reagir e salvar a presidente Dilma Rousseff diminuem muito.Junto com isso, o Supremo ainda pode definir se Lula poderá ser julgado pelo juiz Sérgio Moro ou se o fato de pessoas com foro privilegiado terem surgido nas investigações leva o caso integralmente para a Corte máxima do Judiciário brasileiro.

Se houver decisão contrária a Lula, como por exemplo o desmembramento do caso, devolvendo parte da investigação para Sérgio Moro, o ex-presidente pode até ser preso a pedido do Ministério Público Federa (MPF), complicando ainda mais a pressão sobre o governo.Casamento no Sul tem manifestaçãoPorto Alegre.

 A festa de casamento do ex-assessor especial da Presidência da República Anderson Dorneles foi marcada por protestos nas imediações do evento, que ocorreu no fim da tarde de sábado na região do Vale dos Vinhedos, na cidade gaúcha de Bento Gonçalves. Como a presidente Dilma Rousseff passou o feriado prolongado de Páscoa em Porto Alegre – a 130 quilômetros da Serra –, existia a expectativa de que ela pudesse comparecer à celebração, já que é muito próxima de Dorneles.

O noivo tem 36 anos e trabalha com Dilma desde os 13, ainda na capital gaúcha, sendo considerado por ela quase um filho.Esta hipótese motivou manifestações contrárias ao governo e a favor do impeachment em frente ao local da cerimônia.

Na manhã de ontem, o Palácio do Planalto informou que a presidente não foi ao casamento e ficou na capital gaúcha com a família. OTempo/Brasília
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Fonte: Gazeta de Uberlândia