Um currículo bem feito pode ser determinante na hora de escolher um candidato para uma entrevista de emprego. Erros sutis e pequenos deslizes podem, por outro lado, colocar tudo a perder quando se trata de conquistar a desejada vaga de trabalho.
Pode ser este o motivo pelo qual um candidato nunca é chamado para uma entrevista.

Especialistas em carreira e recursos humanos listaram as dicas mais importantes para chamar e prender a atenção dos recrutadores.Modelo de curriculo (Foto: G1)
O QUE PRIORIZARNão deixe fora:IdadeDados de contato (email e telefone)Objetivo profissionalExperiência profissional (mesmo sem registro em CLT)Formação acadêmicaDeixe de fora:Fotografia (a menos que o recutador peça)Pretensão salarial (diga somente na entrevista)Experiência profissional antiga ou irrelavanteCursos de menor importânciaNível básico de idiomasInformações opcionais:Trabalho voluntário (apenas quando falta experiência profissional)Habilidade em alguma ferramenta ou softwareRealizações e metas cumpridas
“As informações que devemos destacar são as que valorizam o currículo.

Se o profissional possui ampla experiência na área e gerou grandes resultados, coloque em destaque. Caso possua uma excelente formação, valorize o currículo dessa maneira”, diz Flávia Mentone, consultora de recursos humanos e diversidade.

Veja como as informações devem ser colocadas no currículo:Informações pessoaisDeve conter nome, endereço, telefone, email e idade. “Não oculte sua idade, pois muitos recrutadores já têm uma faixa etária desejável e você pode ser eliminado automaticamente em uma entrevista por causa disso”, diz Ricardo Karpat, especialista em RH da Gabor Recursos Humanos.

Objetivo profissionalSe o profissional estiver procurando trabalho em diferentes áreas, faça diferentes currículos, destacando as competências para as cada função, recomenda Flávia Mentone, consultora de recursos humanos e diversidade. Deixe clara sua área de interesse.

Segundo Karpat, não pega bem colocar duas áreas muito diferentes, como administração e saúde. “Passa a impressão de falta de foco”, diz.

No máximo, pode-se colocar áreas relacionadas, como marketing e publicidade.Formação acadêmicaColoque do curso mais recente ao mais antigo.

Não esqueça de colocar o nome da instituição e as datas de início e fim do curso. “Quem tem mestrado ou pós graduação, por exemplo, não precisa colocar informação do colegial, apenas dados do ensino superior”, recomenda Karpat.

Experiência profissionalTambém deve-se colocar do recente para o mais antigo. Karpat sugere no máximo os três últimos empregos ou apenas os mais relevantes.

As experiências profissionais que ficaram de fora podem e devem ser informadas durante a entrevista. O candidato de “pulou de galho em galho” em muitos empregos pode omiti-los no currículo, mas não deve deixar de mencioná-los mais para frente, diz o especialista.

No caso de profissionais que não possuem muita experiência, pode colocar algum trabalho voluntário, recomenda Flávia. Atividades profissionais sem registro em carteira também devem ser colocadas, diz a especialista.

IdiomasNão adianta dizer que o inglês é fluente se o candidato só tem o nível avançado, comenta Karpat. “Só coloque a qualificação se você realmente tiver”.

Um erro comum é colocar o nível básico de idiomas no currículo. “Se é básico, eu deixaria esta informação de fora.

Nenhuma empresa costuma pedir conhecimento básico de um idioma, então isso não agrega ao currículo”, analisa.VEJA ABAIXO OS PRINCIPAIS ERROS AO MONTAR SEU CURRÍCULO
A menos que o objetivo seja trabalhar em uma área criativa, como em agências de publicidade, a recomendação é que o currículo seja o mais sóbrio possível, diz Ricardo Karpat, especialista em RH da Gabor Recursos Humanos.

Isso vale especialmente para as áreas administrativa, contábil e jurídica  das empresas. Evite papeis coloridos e letras com cores diferentes, pois isso passa uma impressão negativa para vagas mais sérias, orienta o especialista.

Flávia Mentone, consultora de recursos humanos e diversidade, sugere que o ideal é usar letras pretas com tamanho entre 10 e 12, e as fontes Arial ou Times New Roman.
“O currículo deve conter uma página e no caso de profissionais experientes, no máximo duas páginas”, diz a consultora Flávia.

As descrições da experiência profissional e da formação acadêmica devem ser curtas e objetivas, e deve-se deixar de fora o que não agrega valor. Karpat, da Gabor Recursos Humanos, explica que o currículo é um resumo das suas qualificações, como se fosse um trailer da sua vida.

“Não tem como contar tudo, por isso você deve omitir informações”, diz. Lá, só deve constar o que realmente importa para a função desejada.

Dizer que aceita “qualquer função” também não é recomendável, observa o especialista. Quando o candidato não sabe em qual função pretende atuar, é preferível colocar no objetivo profissional uma informação mais abrangente, como “área administrativa” e “jornalismo”.

Não adianta mencionar que fez uma viagem internacional se ela foi somente de turismo, observa Karpat. Já se o objetivo foi fazer um curso de idiomas, por exemplo, a história muda.

O mesmo vale para cursos livres como culinária ou yoga. “Se a informação não agrega para o cargo pretendido, não deve ser mencionada no currículo”, diz o executivo.

A fotografia do candidato só deve ser colocada no currículo quando pedida pelo anúncio da vaga. “Afinal, o que está sendo avaliado são as competências e não a aparência do candidato”, comenta Flavia.

O mesmo vale para a pretensão salarial, diz a especialista em RH. “Ela só deve ser colocada quando o selecionador solicitar.

Geralmente, a empresa pergunta a pretensão durante a entrevista. O currículo deve conter somente as informações que agregam valor à função desejada.

Este é um dos erros mais comuns e que passa má impressão, lembra Flávia. Faça uma boa revisão de todo o seu currículo antes de enviá-lo ao recrutador, pois um pequeno deslize de digitação ou erro gramatical conta vários pontos contra o candidato.

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Fonte: G1