Focar apenas no cenário econômico desfavorável pode atrapalhar na busca por um novo emprego, dizem especialistas (Foto: Miguel Schincariol/AFP)
Mesmo com um bom currículo, formação adequada e experiência, um candidato a emprego pode perder uma oportunidade de trabalho se cometer erros como escolher as vagas erradas para se candidatar.Veja abaixo quais são os 10 erros mais comuns listados por especialistas cometidos por quem está à procura de emprego. Para elaborar a lista, o G1 ouviu Cristina Fortes, consultora da LHH, Viviane Candido, especialista de RH da VAGAS.

com, Anna Melo, gerente da Randstad Professionals no Rio de Janeiro e Fabio Di Giacomo, fundador do Grupo UM%, especialista em coaching.
“Distribuir o currículo de forma indiscriminada a todos os contatos acaba ‘terceirizando’ o pedido de emprego, responsabilizando ou contando com outros pela recolocação”, diz Cristina Fortes.

“É comum vermos pessoas acreditarem que mandar currículo de forma frenética resolverá a situação, tendo a falsa impressão de que está se movimentando.”
“Um erro crasso é quando o profissional envia o currículo para uma vaga sem que ele tenha o perfil solicitado, como formação necessária ou até mesmo experiência.

No descritivo de um anúncio tem as competências técnicas que a vaga necessita, formação acadêmica, idioma. Se você não corresponde, não faz o menor sentido de aplicar uma tentativa de exercer aquela função”, aconselha Anna Melo.

“Dizer que ‘qualquer coisa serve’ para pessoas da sua rede e mostrar-se desmotivado nos contatos também um grande risco e pode comprometer sua imagem”, alerta Cristina Fortes. 
“Outro erro comum é restringir-se a aplicação de vagas na internet.

As pesquisas mostram que de 70 a 80% dos reposicionamentos profissionais são resultados da ativação da rede de relacionamento através de uma abordagem que dê espaço para apresentar o que se tem a oferecer ao mercado”, afirma Cristina Fortes.
“Investir na construção de um bom currículo é muito importante.

Fazer uma boa revisão e deixá-lo com até no máximo duas páginas mostra objetividade e cuidado na comunicação”, indica Cristina Fortes.“Um currículo mal escrito, mal formatado, com informação demais ou de menos, com erro de digitação ou de português é um erro que com certeza vai desclassifica-lo já no momento da triagem.

Na ansiedade, o candidato nãos separa um momento para revisar o currículo e simplesmente encaminha do jeito que está”, complementa Viviane Candido.
O cenário econômico atual no país é desfavorável, mas os especialistas alertam que tornar isso uma ideia fixa pode atrapalhar.

“O primeiro mecanismo de defesa que nós seres humanos temos é jogar a culpa por externo. Mas, por mais que a pessoa culpe o cenário, não adianta e ficar em casa esperando que as coisas mudem.

Eu posso ter consciência de que o cenário não é tão bom, mas se eu entro contato com amigos, deixo meu currículo diferente, estudo pela internet, estou assumindo a responsabilidade daquilo”, aconselha Fabio Di Giacomo.
“Quando se está procurando emprego, a gente se candidata a muitas vagas e às vezes fica meio confuso e acaba não prestando essa atenção.

Na ansiedade, acaba não buscando nenhuma informação e chega para a entrevista totalmente desinformado. Não sabe quais são os negócios daquela empresa, os clientes, quais são os valores, a cultura.

Isso mostra um total desespero apenas pela vaga de emprego”, aponta Viviane Candido.
“Outro erro é a falta de informação sobre a própria vaga.

Muitas vezes o candidato não recebe mesmo muita informação, mas o básico é obvio que você tem que saber. Tem um anúncio e a pessoa do RH vai te falar alguma coisa quando ligar para marcar a entrevista.

Tem gente que esquece ou não presta atenção porque se candidata a muitas vagas. Isso mostra falta de atenção, que até pode ser causada pela ansiedade, mas passa uma impressão muito ruim de que você não está se importando”, alerta Viviane Candido.

Muitos candidatos têm dúvida se devem ligar para o recrutador após uma entrevista para perguntar se há algum retorno, e acabam fazendo esse contato cedo demais ou de forma insistente, como pontua Anna Melo. “Cabe ao candidato pedir um prazo.

Às vezes tem um prazo, às vezes não. Muitas vezes a resposta é: ‘nós iremos entrar em contato.

’ Mas, a partir disso, depois de 48 horas tem candidatos que ligam todos os dias para saber se tem um retorno. Isso pode ser um fator que contribua para a decisão de não contratá-lo, mas não é determinante.


Ao procurar trabalho por muito tempo sem sucesso, a sensação de frustração pode derrubar a confiança do candidato e prejudicá-lo na procura por recolocação. “Cuidar da parte emocional que é o fundamental para conseguir se recolocar no mercado, e isso vem muito do modelo mental que a pessoa está adotando naquela hora.

Modelos mentais que sejam mais positivos são fundamentais para a pessoa conseguir se recolocar”, comenta Fabio Di Giacomo.
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Fonte: G1