Sensação de frustração após procurar trabalho por muito tempo pode atrapalhar a recolocação profissional (Foto: Shutterstock)
Passar muitos meses procurando emprego sem sucesso pode gerar uma sensação muito frustrante e abalar a autoestima de muitos profissionais. No entanto, o desânimo pode acabar minando novas chances de recolocação no mercado.Veja abaixo 6 dicas para continuar a busca sem cair nessa armadilha.

Para elaborá-las, o G1 ouviu Cristina Fortes, consultora da LHH, Viviane Candido, especialista de RH da VAGAS.com, Anna Melo, gerente da Randstad Professionals no Rio de Janeiro e Fabio Di Giacomo, fundador do Grupo UM%, especialista em coaching.

“Quando uma pessoa é demitida, o ponto mais forte é que o emocional pode ser abalado. Mas a gente precisa entender é justamente o que a própria pessoa começa a dizer para ela mesma.

Se começa a se questionar por que aconteceu isso com ela, como vai fazer agora, isso vai jogando a pessoa emocionalmente mais para baixo. E acaba por abalar a confiança, a pessoa começa a acreditar que não é capaz de fazer as coisas.

E essa falta de confiança acaba sendo um obstáculo até mesmo para se reposicionar no mercado”, diz Fabio Di Giacomo.
“Uma dica é fazer este exercício: tente mentalizar um momento na vida em que você se superou, em que se sentiu capaz, e reviva isso mentalmente.

Feche os olhos e deixe passar o filme dessa experiência, para que volte a sentir essa sensação de poder dizer a si mesmo que é capaz”, ensina Fabio Di Giacomo.“Muitas vezes a gente duvida da gente mesmo, dizemos ‘não sei se vou dar conta’, quando isso quer dizer ‘não sei se sou capaz’.

Todos nós somos capazes. O problema é que às vezes nos esquecemos disso.


“A pressão dos familiares é comum nessa fase, sobretudo porque ficam preocupados com o estado emocional do familiar que está buscando um novo emprego. É importante estabelecer um pacto com a família e explicar que buscar um novo trabalho exige um tempo e o que o ajudará nesse momento é contar com o apoio e não com a pressão.

Perguntas como ‘já conseguiu algo?’ ou ‘você passou na entrevista?’ costumam ser grandes fontes de estresse”, diz Cristina Fortes.“Combine com seus familiares que, durante essa fase, você os manterá informados sobre como as coisas estão evoluindo, mas que perguntas que gerem pressão não o ajudarão a caminhar mais rápido.


“Isso pode interferir muito porque quando a gente vai entrevistar uma pessoa totalmente desanimada, sem energia, para baixo, o RH vai entender que é sua característica. E ninguém quer uma pessoa desaminada fazendo parte de uma empresa.

Eu sei que não é fácil, não dá para fazer uma mágica e se sentir animado, mas tem que pensar que é uma oportunidade. Busque energia para naquele momento não passar todo esse desânimo, porque vai com certeza impactar negativamente no processo seletivo”, diz Viviane Candido.

“Ficar em casa aguardando algo acontecer é uma grande armadilha e um convite ao desânimo. Estar em contato com outras pessoas é um bom caminho”, diz Cristina Fortes.

“É importante equilibrar a busca de um novo trabalho com outras atividades que lhe dêem prazer e que nem sempre envolvem gastos. Os gastos dessa fase devem incluir prioritariamente buscar uma reciclagem, pois representam uma excelente oportunidade de estabelecer novas conexões e trazer diferenciais para a carreira.

É o momento de melhorar o inglês? Dominar uma nova ferramenta? Essas iniciativas diminuem a sensação de ‘estar parado’, fazendo algo que seja positivo nessa fase.”
“Quem puder fazer um projeto de assessoria de carreira que tenha uma assistência psicológica, é interessante.

Mas, se não tiver recursos, o ideal é estar sempre lendo, se atualizando, movimentando o networking, obter informações de mercado e se fazer presente. Quanto mais tempo a pessoa passa fora do mercado, gera-se uma ansiedade bastante negativa.

Se isso se desdobrar para uma depressão, é preciso ajuda profissional”, diz Anna Melo.
.

Fonte: G1