O mercado editorial brasileiro teve uma queda de 12,5% ao longo da última década, considerando a inflação do período. Em 2006, o faturamento do setor foi de R$ 5.981,91 bilhões (em valores corrigidos).

Em 2015, foi de R$ 5.231,39 bilhões.

O recuo foi mais acentuado nas vendas para o mercado (15,3%) do que nas vendas para o governo (2,4%).
Os dados estão no dossiê “10 anos de Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, estudo inédito divulgado nesta quarta-feira (10) pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicado Nacional dos Editores de Livros (Snel).

A série histórica é calculada ano a ano pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que usou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) para atualizar os números.A estimativa é feita com informações colhidas a partir de uma amostra fornecida pelas próprias editoras.

Vendas aumentaramApesar da avaliação em geral pessimista, o dossiê mostra um dado positivo: o volume de livros comercializados cresceu. Foram 193,25 milhões de exemplares vendidos para o mercado em 2006 contra 254,70 milhões em 2015.

O melhor ano da série histórica foi 2011, com 283,98 milhões de exemplares. 
Já as vendas para o governo saltaram de 125,31 milhões de exemplares em 2006 para 134,59 milhões 2015.

O pico foi 2013, com 200,31 milhões.
O presidente do Snel, Marcos da Veiga Pereira, apesar desse aumento, a arrecadação do setor ficou abaixo do Produto Interno Bruto (PIB).

“Teve uma perda de valor muito grande, que não compensou esse aumento de vendas. Por isso o mercado não acompanhou o PIB”, afirmou ao G1 por telefone.

“O crescimento do PIB foi da ordem de 30% entre 2006 e 2015. Enquanto isso, se observamos apenas as vendas para o mercado, o faturamento do mercado editorial caiu 15%.

Se considerar as vendas governo, essa queda é um pouco menor.” Pereira considera 2015 “um ano terrível” e “um desastre” – foi a maior queda desde pelo menos 2004.

E em 2016 a situação não está muito melhor, apesar da discreta evolução nos últimos dois meses. “O primeiro semestre brasileiro foi a tempestade perfeita: desemprego, inflação, crise política.

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O consumo foi muito afetado”, avalia o presidente do Snel.
“Temos uma quantidade muito pequena de leitores e de livrarias.

A esperança da indústria editorial é que, no momento em que ocorresse uma melhora macroeconômica, os indicadores melhorariam. A minha avaliação é que o processo de crescimento da indústria editorial é de longo prazo.

Precisa haver um investimento muito significaido em educação e cultura, além da permanência de estabilidade da moeda e um crescimento econônimco, para o setor ter efetivamente um salto.”O preço do livro diminuiuO dossiê “10 anos de Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro” mostra que o preço médio do livro caiu significamente.

Entre 2006 e 2015, a redução geral foi de 36%. Nas vendas para o mercado, foi de R$ 24,45 para R$ 15,72.

Nas vendas para o governo, foi de R$ 10,04 para R$ 9,13.Sem compra para biblitecaO dossiê separa o mercado de livros em quatro subsetores: Didáticos, Obras Gerais, Religiosos e Científicos e Técnicos e Profissionais (CTP).

O segmento que sofreu com a queda no faturamento foi Obras Gerais. E sofreu especificamente por causa da redução nas compras feitas pelo governo.

“De novo, isso foi dramático em 2015: em Obras Gerais, as vendas para o governo representaram apenas 5%. E elas já chegaram a representar 18%”, compara o presidente do Snel.

Vale lembrar que no ano passado a União não fez compras no âmbito do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) e do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC).
Por outro lado, o segmento de didáticos manteve estabilidade entre 2006 e 2015.

Ele é o que mais depende da participação do governo, que já respondeu por 50% do faturamento e dois terços do volume de exemplares.Religiosos tiveram o melhor desempenhoDos quatro subsetores listados no dossiê, o que teve melhor desempenho foi o de livros religiosos: saltou de R$ 517,43 milhões em 2006 para R$ 558,90 em 2016.

Além disso, foi o único segmento que conseguiu superou o PIB a evolução do PIB, o que ocorreu em 2008 e em 2010.Apresentação do dossiê ’10 anos de Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro’, nesta quarta-feira (24), no Rio; a partir da esquerda: presidente do Snel, Marcos da Veiga Pereira, e a professora Leda Paulani e a economista Mariana Bueno, ambas da Flip (Foto: Marcos Ramos/Divulgação)
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Fonte: G1