O G1 contou, nos últimos anos, a história de diversos profissionais com a carreira em crescimento, aproveitando o “boom” da economia brasileira. Com o agravamento da crise desde o último ano, revisitamos sete desses personagens, para saber se eles também foram afetados pelo cenário atual – e saber como suas carreiras se desenvolveram, se o planejamento seguiu o esperado e como eles têm lidado com os desafios recentes.(O G1 publica, esta semana, reportagens especiais sobre o desemprego, que atinge níveis recordes no país.

Na quarta-feira, contamos como e por que o desemprego cresce no Brasil. Nesta quinta, contamos histórias de quem procura trabalho, e revisitamos trabalhadores que já foram personagens de histórias do G1.

Na sexta, vamos mostrar o que pode acontecer, e dar dicas para quem procura um emprego)Beatriz Corazza trabalha na imobiliária da família (Foto: Marcelo Brandt/G1)Beatriz CorazzaEm 2011:Quando a reportagem conheceu Beatriz, então com 22 anos, ela tinha sido efetivada como analista na Itautec após oito meses de estágio e um ano antes de terminar a graduação em relações internacionais com ênfase em marketing e negócios.Hoje: Beatriz, 27 anos, trabalha na imobiliária da família.

A crise afetou a empresa com queda na receita e na procura por imóveis à venda. “As condições são adversas, mas quando você está disposto consegue aprender muito mais.

Esse é o momento para reinventar a forma de trabalhar”.
Ela começou a atuar no marketing da imobiliária, em 2012, e depois passou para a direção.

Para tocar o negócio, ela se inscreveu em cursos de MBA, mas não foi aprovada por ter pouca experiência em gestão. Ela acabou em uma pós-graduação em direito imobiliário e descobriu uma nova paixão.

“Sempre gostei de direito, mas nunca fui atrás. Acabei me encantando pela área, tranquei a pós e prestei vestibular”.

Em 2019, aos 31 anos, Beatriz vai concluir o curso de direito. “Tenho planos de ficar na empresa.

O direito entrou na minha vida por prazer e acabei seguindo. O exercício da advocacia vai ser aqui dentro”, afirma.

Dica para quem está sem emprego: “Encontrar o que gosta faz parte do desafio, admire as pequenas conquistas e permaneça sempre buscando e se planejando para chegar ao seu objetivo que a recompensa sempre é prazerosa”.Agora, o carro-chefe de Daniela é a fotografia vintage (Foto: Marcelo Brandt/G1)Daniela PetrucciEm 2014:fotógrafa de nu, Daniela participou da especial que o G1 fez sobre profissões invejáveis, e contou sobre o prazer de fazer um trabalho que gosta.

Hoje: Daniela, 36 anos, continua trabalhando como fotógrafa, mas o carro-chefe do negócio virou a fotografia vintage, em que as pessoas “encarnam” personagens e personalidades de outra época. Ela também encontrou mercado entre as grávidas e famílias que querem fazer o registro de seus bebês.

“O mercado de nu no Brasil nunca foi tão abundante assim. A vergonha e o pudor inibem.

Tentei pegar firme no nu e vi que existia a procura por algo com sensualidade e produção de moda. Achei que poderia inserir esse tipo de trabalho.

A fotografia vintage também tem sensualidade, mas mostra o corpo de uma forma mais lúdica”.
Com a crise, ela teve que fazer alguns ajustes para manter os clientes: pagamento facilitado, criação de pacotes mais enxutos e simplificação de propostas de trabalho.

“É importante ter capital de giro para manter o negócio e pagar as contas”, ressalta.Dica para quem está em busca de emprego ou quer empreender: “Não pode ter preguiça e tem que se preparar e estudar bastante.

A pessoa pode até mudar a estratégia, mas não o seu objetivo”.Karina Abud teve que criar estratégias para manter clientes na crise (Foto: Arquivo pessoal)Karina AbudEm 2014:consultora de estilo e personal shopper, Karina contou ao G1 emreportagem sobre trabalhos invejáveis que considerava sua profissão como “a melhor do mundo”.

Hoje: Ainda trabalha com a sua consultoria de estilo, mas teve que criar muitas soluções para atravessar a crise econômica. “A demanda diminuiu por causa do valor da consultoria.

Tive que fazer várias adaptações e ações para que eu continuasse com uma carteira de clientes bacana”, afirma. Ela criou pacotes menores com opções de só criar looks ou fazer compras ou revitalizar e organizar o guarda-roupa.

Ela fez ações de divulgação no elevador do prédio, em salões de beleza e em lojas de roupas do bairro. Ela também aumentou a quantidade de posts no Instagram e Facebook e o parcelamento.

Dica para quem está em busca de emprego ou quer empreender: “Acho que é importante pensar pequeno. Não precisa começar com trabalhos ou ideias grandiosas.

A coisa só acontece quando começa pequena”.Bruna Wzorek (Foto: Arquivo pessoal)Bruna WzorekEm 2011:Com 25 anos, trabalhava como engenheira de processos no Grupo Boticário.

Ela foi trainee por 1 ano e meio antes de ser efetivada.Hoje: Há 9 meses trabalha coordenadora de sistema de gestão de operações na mesma empresa, responsável por implementar estratégias que ajudem a empresa a alcançar suas metas e objetivos, além de bons índices de produtividade.

“Eu queria conseguir ampliar o conhecimento que tive dentro do programa de trainee e também continuar na melhoria contínua. E consegui fazer isso na diretoria de operações”.

Dica para quem está em busca de emprego: “A minha dica seria garantir a visibilidade. Ter exposição para o mercado e deixar claro quais são seus objetivos profissionais.

Também é importante estar bem preparado quando a oportunidade aparecer”.Bruno morou em diversas localidades(Foto: Divulgação/Ambev)Bruno AddessoEm 2012: O G1 encontrou Bruno atuando na Ambev como gerente de contas da região de Campinas (SP).

Ele foi contratado como trainee e 10 meses depois foi efetivado como supervisor de supermercados.Hoje: Trabalha como gerente de projetos, no time de integração da mesma companhia com a Sucos do Bem.

“Quando entrei, sempre quis ser gerente comercial do autosserviço. Fiz as funções básicas como promotor e supervisor e consegui me tornar um”.

Aos 29 anos, ele passou por diversas localidades como São Paulo, Brasília e Guarujá até chegar ao Rio de Janeiro, onde está atualmente.
“Não queria sair de São Paulo.

Mas foi uma surpresa positiva. Pude observar outros mercados e expandir os horizontes.

Se lá atrás alguém me dissesse que a mudança de cidade iria adicionar alguma coisa eu não acreditaria, mas agora acho que fez toda a diferença”.Dica para quem está em busca de emprego: “O profissional precisa ter aderência a cultura da empresa, por isso acho importante procurar em companhias que tenham o perfil do candidato”.

Marcelo trabalhando no Canadá(Foto: Arquivo pessoal)Marcelo Coelho de SousaEm 2011:Aos 23 anos, trabalhava como trainee da Vale na oficina de vagões em Vitória, depois de um período em Canaã dos Carajás (PA).Hoje: Está na subsidiária da Vale em Sudbury, no Canadá, coordenando a implantação do modelo de produção da Vale no país.

Volta para o Brasil em dezembro. Marcelo se manteve na área de melhoria contínua.

“Quando entrei queria crescer e me desenvolver até atingir o meu objetivo de carreira. Sempre tive um planejamento muito claro e trabalhei para isso desde quando entrei”, lembra.

Segundo Marcelo, é importante ter um plano de carreira e se adaptar aos cenários difíceis, como o atual: “Mesmo com as adversidades, o foco na carreira é o mesmo. Tenho que continuar a buscar a melhor performance em projetos diferentes ou nas dificuldades que aparecem.

Tudo isso é um desafio”.Dica para que está em busca de emprego: “Disciplina, foco e condição de se adaptar.

É importante ter flexibilidade para encarar os desafios. Quem conseguir fazer isso, sai na frente no processo”.

Thiago em foto feita em 2011 (Foto: Daigo Oliva/G1)Thiago CoutoEm 2011: Trabalhava como supervisor de finanças na Procter & Gamble já aos 23 anos quando foi entrevistado pelo G1 pela primeira vez. Ele foi estagiário por 13 meses até ser contratado.

Hoje: Thiago atua como gerente de grupo e lidera a área financeira da fábrica de detergentes e amaciantes da P&G.
Segundo ele, o andamento da carreira foi mais rápido do que ele esperava.

“Sempre tive ambição de ter um crescimento profissional acelerado e a política da empresa ajudou. O planejamento foi estar preparado para assumir desafios maiores e pensar no próximo passo na carreira”.

Dica para que está em busca de emprego: “O mercado busca profissionais versáteis e criativos capazes de se reinventar o tempo todo. Comunicação, liderança, capacidade analítica são algumas das habilidades em que é possível se desenvolver e certamente ajudam na hora de conseguir um bom emprego”.

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Fonte: G1