Área do parque Hopi Hari, em Vinhedo (Foto: Fernando Pacífico / G1).
O parque de diversões Hopi Hari, em Vinhedo (SP), entrou, nesta quarta-feira (24), com um pedido de recuperação judicial. De acordo com o advogado do grupo, a solicitação foi feita na 2ª Vara de Justiça do município e tem como objetivo evitar a falência do empreendimento e conseguir investidores para pagar uma dívida que chega a R$ 330 milhões com credores.

Em um comunicado oficial, a administração do Hopi Hari informou que o pedido tem o  “objetivo de reestruturar os termos e condições dos passivos da companhia de forma ampla, e ainda, de formalizar uma linha de financiamento de longo prazo”. O parque está fechado para a preparação da “Hora do Horror” e a previsão de abertura é no dia 7 de setembro.

DívidaO advogado do parque, Daltro Borges, afirmou que pelo menos 50% da dívida do local é com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e, por isso, sem a recuperação judicial, ficaria impossível ter acesso às linhas de crédito e o grupo seria obrigado a decretar falência.
Após o pedido, feito nesta quarta-feira, o juiz da 2ª Vara de Vinhedo vai autorizar que seja aberto o processo e solicitar que o Hopi Hari elabore um plano de recuperação judicial no prazo de 60 dias.

Depois disso, o plano será apresentado ao principal credor do parque para que ele esteja de acordo. Caso o BNDES não aceite a proposta, o processo não terá andamento e a dívida continuará nas mãos da atual administração.

“Nós não vamos levar 60 dias para elaborar esse plano porque ele já está feito. Nós temos possíveis investidores que estão dispostos a aplicar dinheiro no parque, mas isso só será viabilizado caso esse processo de recuperação judicial seja autorizado.

O pedido de recuperação é a garantia que o investidor tem de que não vai perder o dinheiro para ele poder assumir o passivo que o parque tem”, disse Daltro Borges.Repassar a administraçãoO advogado do Hopi Hari ainda afirmou por telefone ao G1 que o parque planeja repassar a administração aos novos investidores até o início do ano que vem para que que o grupo inicie um projeto de reformulação.

No entanto, para isso, o processo de recuperação judicial precisa ser autorizado.
“Se não houver recuperação judicial, o caminho é a falência.

Mas já existem negociações com mais de um investidor que quer reestruturar o parque. Nós temos um processo de reestruturação e temos empresas dispostas a investir nisso e assumir a dívida, mas para isso a recuperação judicial tem que acontecer”, afirmou o advogado.

Nem a administração do Hopi Hari e nem o advogado informaram quais são os investidores com os quais o parque negocia.Montanha-russaEm julho, a juíza Carolina de Figueiredo Dorlhiac Nogueira, do Foro Central Cível de São Paulo, autorizou o empresário Cesar Augusto Federmann a fazer a retirada de uma montanha-russa do parque.

O brinquedo tratado no processo, uma montanha-russa de dez inversões, é prevista como nova atração, mas está desmontada e o prazo para abertura aos visitantes não foi confirmado pelo parque.
Em nota divulgado na época, o Hopi Hari alegou que todas as questões judiciais foram encerradas por meio de acordo enviado para a Comissão de Valores Mobiliários.

Em janeiro deste ano, o empresário acionou a Justiça de Vinhedo para cobrar R$ 5,9 milhões do parque, referentes a um empréstimo feito em dezembro de 2014 e acréscimo de juros. Contudo, o pedido foi indeferido no mesmo mês pelo juiz da 1ª Vara Cível, Fábio Marcelo Holanda, após o protesto ser interrompido.

À época, o magistrado mencionou que, caso o Hopi Hari pagasse o valor cobrado, não seria decretada a falência. Na ocasião, a assessoria do parque também citou que liminar da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo impedia a cobrança do valor.

ParalisaçõesNo mês de agosto, os funcionários do parque fizeram paralisações por falta de pagamento em duas ocasiões e os turistas que vieram de outras cidades ficaram sem acesso ao espaço. Na época, a empresa não confirmou a greve e disse que o local estava em manutenção.

Funcionários não trabalharam em protesto contra a falta de pagamento (Foto: Reprodução/EPTV).
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Fonte: G1