A inadimplência dos consumidores caiu pelo terceiro mês seguido, segundo pesquisas divulgadas nesta terça-feira pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pela Boa Vista SCPC.
Segundo o SPC Brasil e CNDL, o número de pessoas com contas em atraso caiu de 59,1 milhões de pessoas para 58,9 milhões entre junho e julho, na terceira queda mensal seguida. Apesar da queda, esse número é considerado elevado pelos economistas do SPC Brasil por representar 39,57% da população adulta no país.

Na comparação entre julho de 2016 e o mesmo mês em 2015, o estudo aponta que o volume de inadimplentes aumentou 1,99% no último mês frente a mesmo mês do ano passado.
A Boa Vista SCPC, por sua vez, aponta recuo de 4,3% na inadimplência na comparação com o mesmo mês do ano passado, também a terceira queda seguida.

Já entre junho e julho deste ano, a pesquisa da Boa Vista SCPC aponta que o número de pessoas com contas em atraso subiu 4,9%. No acumulado do ano, o estudo mostra aumento de 2,5% na inadimplência, e de 3,3% no acumulado em 12 meses até julho.

“Apesar do crescimento mais moderado da inadimplência na comparação anual e da queda na comparação mensal, ainda é cedo para considerar que a tendência de retração da inadimplência se manterá ao longo dos próximos meses”, disse em nota o presidente da CNDL, Honório Pinheiro.“O resultado de julho sente o efeito da maior restrição ao crédito, podendo ser um efeito temporário e que não necessariamente está ligado a uma melhoria na capacidade de pagamento dos consumidores”, completa a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Segundo a Boa Vista SCPC, “a deterioração do mercado de trabalho e inflação em patamares elevados tem contribuído para piora do orçamento das famílias, aumentando o fluxo de inadimplência nos últimos tempos”. A entidade, no entanto, aponta que “a cautela do consumidor, a fraca atividade econômica e a respectiva diminuição do endividamento das famílias têm agido de modo a compensar esta elevação da inadimplência”.

Dívidas com água e luzO SPC Brasil e a CNDL apontam que houve crescimento de 1,82% na quantidade de dívidas atrasadas na comparação entre julho de 2016 e o mesmo mês do ano passado. Na variação mensal, entre junho e julho, houve uma leve retração de 1,18%.

Segundo o SPC, o brasileiro ainda enfrenta dificuldades para realizar o pagamento de contas básicas. O maior avanço no número de dívidas foi com as empresas concessionárias de serviços como água e luz, cuja alta atingiu 8,33% na comparação anual.

As dívidas com os bancos cresceram 2,48%, ao passo que os atrasos no comércio avançaram 1,42% na base anual de comparação. O único setor em que houve queda na quantidade de novas dívidas registradas foi o setor de comunicação, que engloba TV por assinatura, internet e telefonia, com recuo de 5,17%.

Ainda que o crescimento das dívidas no setor de contas de água e luz seja o principal destaque do mês de julho, as dívidas com os bancos são as que concentram, proporcionalmente, o maior número de pendências, com participação de 42,13% no total de dívidas em atraso das quatro regiões, seguido do comércio, com 24,44% e do setor de comunicação, com 12,46%. O setor de água e luz concentra 9,26% do total de pendências.

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Fonte: G1