O mercado de imóveis comerciais usados como escritórios na cidade de São Paulo teve seu pior semestre em 10 anos, segundo pesquisa feita pela consultoria Engebanc Real Estate. Nos primeiros seis meses de 2016, o índice que mede o crescimento real do mercado caiu 35% para os edifícios de alto padrão e 141% para os de médio padrão.
A queda é em relação ao mesmo período do ano anterior, e mede a absorção líquida do mercado em metros quadrados.

Isso significa que está havendo mais devoluções de escritórios do que demanda por outros espaços.O CEO da Engebanc Real Estate, Marcelo da Costa Santos, aponta alguns fatores que motivaram o resultado.

Um deles é o desemprego. Com as empresas operando com menos funcionários, optar por espaços menores é uma forma de se adaptar ao novo quadro e reduzir custos.

A maior quantidade de empresas fechando as portas e o menor número de novas companhias também influenciaram.Prédios de alto padrão tiveram queda menor em comparação ao edifícios considerados de médio padrão, segundo a pesquisa (Foto: Marcelo Brandt/G1)Edifícios de alto padrão têm queda menorA pesquisa aponta que o segmento de edifícios de médio padrão teve resultado pior na comparação com os prédios mais sofisticados.

“Nos edifícios de classe B, a absorção líquida está negativa, e nos de classe A, está havendo o contrário”, aponta Santos. “Isso mostra que o mercado de alto padrão continua com uma certa resiliência diante da crise, com mais pessoas interessas em alugar do que devolver.


O mercado está na brincadeira do ‘rouba monte’. Existe pouca demanda nova.

O número de cartas não muda na mesa e cada um vai roubando do outro. A perda do imóvel de patrão B é o ganho do A”
Marcelo da Costa Santos
“O que está acontecendo hoje no mercado de escritórios em São Paulo é um efeito duplo.

Primeiro há um excesso de oferta, com entrega dos projetos pensados há 7, 8 anos, em um momento em que o Brasil era diferente. Outro ponto é que as empresas estão otimizando seu espaço”, explica o especialista.

Sobre o segundo ponto, a pesquisa destaca que a diferença entre o preço médio de aluguel do metro quadrado entre prédios de médio e alto padrão, que já foi de 79% entre 2012 e 2013, passou para 48% neste ano. “Quando está abaixo de 50%, existe um incentivo de mudança de inquilinos do médio padrão para o alto”, aponta Santos.

“Empresas que estão em prédios antigos, obsoletos, estão aproveitando os preços mais baixos em prédios melhores. O custo de ocupação é mais barato, como condomínio, energia, manutenção.

A empresa não paga apenas aluguel.”O especialista ressalva que, mesmo com essa tendência de migração, o cenário no mercado de escritórios em geral segue negativo.

“O mercado está na brincadeira do ‘rouba monte’. Existe pouca demanda nova no mercado.

O número de cartas não muda na mesa e cada um vai roubando do outro. A perda do B é o ganho do A”, compara.

“A crise de fato está reduzindo o apetite por novos espaços.”Investir em imóveis exige cuidado“As pessoas olham o imóvel como investimento à prova de risco, dizem que ‘o tijolo é a moeda forte’.

Nada poderia ser mais distante da realidade”, alerta Santos.
“É um mercado que precisa de gente que tenha visão de longo prazo e aguente passar por crises.

Imóvel fica obsoleto, às vezes tem que ser derrubado e reconstruído. O imóvel de classe C de hoje era o classe A dos anos 70.


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Fonte: G1