No primeiro dia após a aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) viajou a São Paulo para conversar com interlocutores do mercado financeiro para ouvir sugestões para compor sua equipe econômica.

O peemedebista teria decidido recorrer ao mercado após ter queimado suas primeiras opções na última semana. De acordo com fonte próxima ao assunto, “Temer já recebeu três respostas negativas de pessoas que ela gostaria de ter no comando do Ministério da Fazenda”.

Os ex-presidentes do Banco Central Henrique Meirelles e Armínio Fraga e o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, teriam preferido ficar de fora da equipe econômica de Temer neste primeiro momento.

Segundo fonte ouvida por O Financista , Meirelles e Armínio estariam aguardando para assumir um cargo relevante mais adiante. “Eles estão de olho em 2018, porque a economia estará um pouco melhor”, explicou.

Michel Temer (Crédito: Reprodução)

Procurados por O Financista , a assessoria de Meirelles afirmou que o ex-presidente do BC não comenta boatos, enquanto Armínio reforçou a negativa aos rumores da semana passada.

No mesmo sentido, assessores do governador do Espírito Santo afirmaram que, ainda que considere o projeto tentador, Hartung está comprometido em cumprir seu mandato à frente do governo do estado.

“Tudo indica que Hartung permanecerá no governo até 2018, quando concorrerá ao Senado e poderá ser nomeado a algum ministério. Ele não quer antecipar as coisas”, afirmou uma fonte familiarizada com o assunto.

Ainda na equipe econômica, os principais cotados para o comando do BC (Banco Central) também devem declinar caso sejam convidados.

A O Financista , o ex-diretor da autoridade monetária e economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, disse, por meio de sua assessoria, que prefere não comentar boatos, enquanto o ex-secretário de política econômica do ministério da Fazenda Amaury Bier afirmou que não há fundamento em especulações sobre sua participação em um eventual governo Temer. Além de não ter sido procurado, Bier foi contundente ao dizer que não pretende voltar ao setor público.

Já o ex-diretor do BC e sócio do banco Brasil Plural Mário Mesquita afirmou por meio de assessoria de imprensa que não comentaria o assunto.

As dificuldades apresentadas pelos dois últimos ministros da Fazenda, Joaquim Levy e Nelson Barbosa – que ocupa a pasta atualmente – para aprovar medidas que estabeleçam o reequilíbrio das contas públicas e coloquem o país de volta aos trilhos do crescimento atribuíram aos cargos da equipe econômica, principalmente da Fazenda, um caráter de “indesejado”.

De acordo com fonte próxima ao residente do Palácio do Jaburu, entre os nomes que estão mais próximos de bater o martelo figuram José Serra, que deve ser ministro da Saúde, e Luiz Fernando Figueiredo, que pode ser nomeado como secretário do Tesouro.

Outro possível ministro de um governo Temer é o Romero Jucá (PMDB-RJ) para o Planejamento. O senador é presidente interino do partido e um dos principais articuladores da votação que garantiu a aprovação do impeachment na Câmara. Foi também líder do governo Dilma e também do governo Luiz Inácio Lula da Silva, de quem foi, por um breve período, ministro da Previdência Social.