O nível de água do Sistema Cantareira registrou nova alta nesta quinta-feira (9) e opera com 74,5% do total da sua capacidade, de acordo com dados divulgados pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Nas últimas 24 horas, choveu na Cantareira 0,2mm.
Na primeira semana de junho, choveu três vezes o esperado para o mês no Sistema Canteira, segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Nesta quinta, os reservatórios indicavam acúmulo de 177,4mm de água em junho; a média para o mês é de 58,1mm.
O Alto Cotia e Rio Claro perderam água, mas os outros sistemas que abastecem a Grande São Paulo tiveram alta no armazenamento de água devido às chuvas.

Confira os dados atualizados:
– Cantareira: 74,5% da capacidade- Alto Tietê: 47,1% da capacidade- Guarapiranga: 94,9% da capacidade- Alto Cotia: 103,4% da capacidade- Rio Grande: 86,2% da capacidade- Rio Claro: 102,3% da capacidadeÍndicesApós uma ação do Ministério Público, aceita pela Justiça, a Sabesp passou a divulgar outros dois índices do Cantareira. O segundo está em 57,7% e considera o volume armazenado na capacidade total, incluída a área do volume morto.

O terceiro índice leva em consideração o volume armazenado menos o volume morto na área total dos reservatórios e também se manteve em 45,3% nesta manhã.
O Cantareira chegou a atender 9 milhões de pessoas só na Região Metropolitana de São Paulo, mas atualmente abastece 7,4 milhões após a crise hídrica que atingiu o estado em 2014 e 2015.

Os sistemas Guarapiranga e o Alto Tietê absorveram parte dos clientes, para aliviar a sobrecarga do Cantareira durante o período de estiagem.Volume MortoA reserva técnica começou a ser bombeada em maio de 2014.

Na época, ainda havia água no volume útil. Em julho, porém, o sistema passou a operar somente com o volume morto.

Especialistas ouvidos pelo G1, no entanto, alertam que o Cantareira ainda segue em crise porque não se recuperou totalmente. A Sabesp também informou que não descarta voltar a usar a reserva técnica no próximo período seco, com a chegada do inverno.

O fim da dependência da reserva técnica ocorreu antes do previsto pela Sabesp. A expectativa era de uso até o fim do verão, com probabilidade de 98% de o Cantareira sair do volume morto até abril.

A chuva acima da média nos últimos meses acelerou o processo e as represas acumularam mais água por causa da precipitação intensa e entrada de água no manancial.
 Leia abaixo mais questões sobre o volume morto e a crise hídrica em São Paulo.

O QUE É O VOLUME MORTOO volume morto é uma reserva com 480 bilhões de litros de água situado abaixo das comportas das represas do Cantareira. Até então, essa água nunca tinha sido usada para atender a população.

Em maio de 2014, bombas flutuantes começaram a retirar essa água. A decisão de fazer essa captação foi tomada por causa da crise hídrica que atingiu o estado de São Paulo no ano passado.

O governo do estado tentou fazer desvios para usar a água de outras represas, mas essas manobras não foram suficientes para atender toda a população da Região Metropolitana de São Paulo. Após o nível do sistema atingir um patamar preocupante, a Sabesp começou a fazer obras para conseguir bombear a água do volume morto.

CRONOLOGIA DO VOLUME MORTO- 15/05/2014: bombas flutuantes para retirada da primeira reserva técnica são inauguradas.- 16/05/2014: 182,5 bilhões de litros de água são disponibilizados para abastecimento da Grande São Paulo.

Mesmo assim, a sequência de quedas no nível das represas continua.- 11/07/2014: volume útil do Cantareira acaba e o abastecimento de parte da Região Metropolitana de São Paulo atendida pelo Cantareira é feito somente com a primeira cota.

– 24/10/2014: Sabesp consegue autorização para usar uma segunda cota do volume morto, com 105 bilhões de litros.- 24/02/2015: segunda cota do volume morto é recuperada, mas a Sabesp ainda depende da primeira cota do volume morto para garantir o abastecimento de 5,4 milhões de pessoas atendidos pelo Cantareira na Grande São Paulo.

– 30/12/2015: sistema consegue recuperar as duas cotas do volume morto e volta a operar apenas com o volume útil.SAÍDA ANTES DO ESPERADOO término do uso do volume morto ocorreu antes do esperado pela Sabesp.

A companhia de abastecimento havia previsto que o sistema operasse com a reserva técnica até o fim do verão, mas a chuva acima da média nos últimos meses acelerou o processo e as represas passaram a acumular mais água por causa da precipitação intensa e afluência dos rios que desaguam no reservatório.
A companhia de abastecimento informou que usa cenários afluência e pluviometria desde 1930 e que em apenas dois deles não seriam registrados índices de chuva para que o manancial deixasse a reserva técnica até abril.

Para fevereiro, a probabilidade de saída do volume morto era de 85%, segundo a Sabesp.Represa do Sistema Cantareira em agosto de 2015 (Foto: Luis Moura/Estadão Conteúdo)
No mês de novembro de 2015, o sistema registrou 197,6 milímetros de chuva, 23,1% acima da média histórica, de 160,4 mm.

O volume ficou atrás apenas do verificado em 2009, quando a precipitação total no conjunto de represas, considerando os 30 dias do mês, foi de 237,6 milímetros.
Nesse mesmo período, o El Niño ganhou força e teve impactos no Brasil, como temporais no Sul e seca no Nordeste.

Especialistas ouvidos pelo G1, no entanto, divergem sobre a influência do fenômeno climático para ajudar São Paulo a sair da crise hídrica antes do esperado.
Segundo o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador geral de operações e modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), estatisticamente não há uma relação entre o El Niño com as chuvas no Sudeste.

“Talvez a única relação que temos, nós pesquisadores, é que durante os anos do El Niño as chuvas no Sudeste ficam longe da normalidade”, afirmou. O meteorologista explica que São Paulo teve novembro e dezembro mais chuvosos, o que não significa que janeiro e fevereiro seguirão a mesma tendência porque o El Niño pode oscilar entre períodos mais secos e mais chuvosos.

Já uma pesquisa inédita sobre impacto do El Niño nos índices de chuva, feita pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Inpe e divulgada em novembro, apontou que a ocorrência de tempestades na região Sudeste no verão deve ser 20% maior em relação aos anos anteriores. O auge dos temporais deve ocorrer na primeira quinzena de fevereiro.

“O estudo verificou quando ocorre o evento El Niño muito intenso, os efeitos do aumento das tempestades não ficam restritos à região Sul, e se estende ao Sudeste e ao Mato Grosso do Sul”, explicou o coordenador do Elat/Inpe, Osmar Pinto Junior. A causa das tempestades – chuvas de forte intensidade e de curta duração – é uma combinação de temperaturas mais altas, circulação atmosférica que mais sistemas frontais que chegam à Região Sudeste.

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Fonte: G1