O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tem seu segundo dia de reunião nesta quarta-feira (8), e deve manter, segundo expectativa do mercado financeiro, os juros estáveis em 14,25% ao ano – o maior patamar em quase dez anos.
Se confirmada, será a sétima vez seguida que o Copom mantem a taxa Selic. A decisão será anunciada na noite desta quarta.

Esta será a ultima reunião do comitê com Alexandre Tombini no comando do BC. Indicado pela presidente afastada, Dilma Rousseff, Tombini será substituído por Ilan Goldfajn, indicado pelo ministro da Fazenda do governo Temer, Henrique Meirelles.

A indicação de Goldfajn foi aprovada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta terça (7), quando ocorreu o primeiro dia de reuniões do Copom.
Ao subir os juros ou mantê-los elevados, o BC encarece o crédito.

O objetivo é reduzir o consumo no país para conter a inflação que mostrou resistência no ano passado e no início de 2016.
Entretanto, os juros altos prejudicam atividade economica e, consequentemente, inibem a geração de empregos.

Último Copom de TombiniEssa será a última reunião do Copom comandada por Alexandre Tombini, que deixa o cargo com o afastamento da presidente Dilma Rousseff e ascensão do presidente em exercício, Michel Temer, na esteira do processo de impeachment.
Temer indicou para a presidência do Banco Central o economista Ilan Goldfajn.

A indicação foi aprovada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e pelo plenário da casa nesta terça (7) – no primeiro dia do Copom.
Em tese, Goldfajn poderia assumir a presidência do BC neste segundo dia de reunião do Copom.

Bastaria que a sua nomeação fosse públicada por Temer e que fossem cumpridos alguns requisitos para a posse. Até a noite de terça, porém, o Planalto não sabia informar qual o que seria feito.

Tombini assumiu o cargo em 2011, permanecendo no comando do BC por pouco mais de cinco anos, o terceiro mais longevo presidente da instituição. Ficará atrás de Henrique Meirelles (8 anos) e de Ernane Galvêas (pouco mais de 6 anos).

Quando Tombini assumiu o cargo, em 2011, a taxa básica de juros estava em 10,75% ao ano. Durante sua gestão, a Selic atingiu, entre o final de 2012 e início de 2013, a mínima histórica de 7,25% ao ano.

Analistas, porém, criticaram posteriormente essa política e avaliaram que ela contribuiu para aumentar as pressões inflacionárias – juros baixos barateiam o crédito e incentivam o consumo, o que pode contribuir para alta da inflação.
Desde o início de 2013, por conta do fortalecimento da inflação, o BC vem subindo os juros, que atualmente estão em 14,25% ao ano.

Decisões sobre a taxa de juros?As decisões do Copom têm por base o sistema de metas de inflação. A autoridade monetária deve calibrar a taxa básica de juros da economia para atingir metas pré-estabelecidas, tendo por base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Para 2016, a meta central é de 4,5%, podendo oscilar entre 2,5% e 6,5% e, para o próximo ano, o objetivo central é o mesmo, mas o teto é menor (6%).
Os analistas observam que as decisões do Copom sobre a taxa de juros demoram mais de seis para terem impacto pleno na economia e, subsequentemente, na inflação.

Deste modo, a definição da taxa de juros nesta reunião de junho terá impacto pleno nos preços já no ano de 2017.
O BC tem informado que buscará trazer o IPCA para um patamar abaixo de 6,5% neste ano e fazê-lo convergir para a meta central de 4,5% em 2017.

Quando vem a queda dos juros?Em meio à forte recessão que castiga a economia brasileira, com o PIB tendo recuado 3,8% no ano passado e com o mercado estimando retração semelhante neste ano, levando o desemprego a patamares recordes – além da desaceleração da inflação em 12 meses – o mercado acredita que a tendência é de queda dos juros nos próximos meses.
Segundo Alessandra Ribeiro, diretora da área de Macroeconomia e Política da Tendências Consultoria, a dúvida é sobre quando esse processo de redução dos juros terá início: se em agosto, outubro, ou mais para o fim do ano.

Para ela, se Ilan Goldfajn mirar a meta central de 4,5% no ano que vem, o processo de queda dos juros pode ficar mais para o fim de 2016.
“Ser durão com o PIB caindo 3,5% é mais difícil do que com a economia crescendo.

Não está muito claro se vão buscar os 4,5% [para o IPCA em 2017] ou se na casa dos 5% está bom. Se quiser cravar 4,5% [no ano que vem], a redução [dos juros] é mais para o fim do ano”, concluiu Ribeiro.

O setor produtivo, porém, pressiona pelo início do processo de corte de juros. Para o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o atual patamar da taxa básica é estratosférico.

“A Força Sindical vem a público cobrar, do novo governo, que os juros sofram uma redução drástica no intuito de dar início à nossa estabilização econômica e à consequente retomada do desenvolvimento nacional”, disse, por meio de nota à imprensa.
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Fonte: G1