Uma operação do Ministério Público (MP), em parceria com a batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam) da Polícia Militar, a Polícia Civil e a Polícia Federal, é realizada nesta segunda-feira (30) na região Centro-Sul de Belo Horizonte, em Frutal, no Triângulo Mineiro, e em São Paulo.

Os mandados de prisões temporárias, que duram cinco dias, partiram da comarca de Frutal. Foram realizadas seis prisões, sendo quatro em Belo Horizonte, uma em Uberaba, no Triângulo, e outra em São Paulo. Entre os detidos está o político Nárcio Rodrigues (PSDB), ex-presidente do PSDB de Minas e ex-secretário de Estado na gestão de Anastasia (PSDB), entre 2011 e 2014. Além do tucano, o empresário Maurílio Reis Bretas foi detido na capital. Em São Paulo também foi realizada uma prisão, mas a identidade do investigado não foi divulgada. Um outro suspeito ainda é procurado em São Paulo.

Nárcio Rodrigues foi levado ao prédio da Promotoria de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público estadual na manhã desta segunda. Ele já se encontrava no local às 9h50.

A reportagem de O TEMPO tentou contato com a defesa de Nárcio Rodrigues, mas ele não foi localizado no escritório de advocacia e não atendeu o celular. O filho do ex-secretário, o deputado federal Caio Nárcio (PSDB), disse à reportagem que a família ainda não possui informações completas do processo, mas apontou perseguição política. Ele está com o pai no Ministério Público.

A assessoria de imprensa do MP confirmou a operação, com busca e apreensão, mas não passou mais detalhes. A Polícia Federal ainda não se manifestou. A Rotam apenas confirmou a operação conjunta, mas não quis dar mais detalhes.

As prisões temporárias podem ser revertidas as prisões preventivas de 30 dias.

Busca e apreensão na Cidade Administrativa

Durante a operação, um mandado de busca e apreensão foi cumprido na Secretaria de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais, na cidade Administrativa. A assessoria de imprensa da secretaria confirmou que o mandado foi cumprindo no 10º andar, em um escritório da empresa Hidroex. No entanto, ainda não há informações do que foi levado. A assessoria ficou de se manifestar assim que tiver um posicionamento do MP.

Operação Aequalis

A operação ganhou o nome de “Aequalis”, que significa “igualdade”, em latim, começou por volta das 6h e contou com a participação de 64 militares da Rotam, em 16 viaturas. Foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão.

Caso Hidroex

Conforme matéria publicada pelo O TEMPO no dia 30 de abril, o Ministério Público de Minas Gerais havia instaurado inquérito civil para apurar irregularidades em obras públicas no município de Frutal, no Triângulo Mineiro, durante gestão do então governador Antonio Anastasia (PSDB), atualmente senador.

A investigação, confirmada pela repórter Luiza Muzzi, estava sob responsabilidade do Grupo Especial de Promotores de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e seguia em sigilo.

Reportagem da “Folha de S.Paulo” na edição do dia 29 de abril mostrou que uma auditoria realizada pela Controladoria Geral de Minas apontou corrupção, desvios e mau uso de dinheiro público na construção do complexo “Cidade das Águas”, centro de pesquisa e gestão em recursos hídricos instalado na cidade.

A controladoria auditou amostra de R$ 37,7 milhões da obra, 16% dos R$ 230 milhões do projeto. Dessa parte, os danos aos cofres públicos chegaram a R$ 18 milhões, 48% do investigado. As irregularidades incluem pagamentos indevidos a empresas por serviços não prestados ou em desacordo ao contratado, superfaturamento, não entrega de equipamentos, armazenagem e controle inadequado e restrição à competitividade de licitações.

OTempo