Ao menos três empresas da região de Campinas (SP) estão com as linhas de produção paradas devido ao atraso na liberação de cargas por reflexo da “Operação Padrão” dos auditores fiscais no Aeroporto Internacional de Viracopos. O rigor na fiscalização se intensificou há semana.  A informação é da regional Campinas do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

Segundo a Delegacia Sindical dos Auditores em Campinas, os atrasos, em alguns casos, chegam a duas semanas. Os fiscais analisam todos os documentos e caminhões que chegam e saem, além das cargas em aviões.

Verificam até se na documentação constam todas as mercadorias encontradas na aeronave.Normalmente, este tipo de análise é feita por amostra, como no caso dos passageiros com bagagens em voos internacionais.

Nesta terça-feira (19), uma fila de caminhões se formou na porta do terminal de cargas. [Veja vídeo acima].

A espera, que geralmente é de 15 minutos, chegou a pelo menos uma hora.Aumento salarialA categoria reivindica 21,3% de reajuste salarial por meio de projeto de lei que foi acordado com o governo da presidente afastada Dilma Rouseff, escalonados em 4 anos, segundo o sindicato nacional da categoria.

Os servidores federais intensificaram as fiscalizações todas as terças e quintas-feiras desde a semana passada para pressionar o governo federal a cumprir o acordo. O Ministério do Planejamento informou, por meio de nota, que elabora minuta de Projeto de Lei sobre o tema e, no momento oportuno, deverá encaminhá-lo ao Congresso Nacional.

Fila de caminhões na porta do terminal de cargas de Viracopos (Foto: Reginaldo Cruz/Divulgação)
O diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp- Campinas, Anselmo Riso, disse ao G1 que o protesto agrava a situação do setor, que acumula déficit na balança comercial de US$ 2,3 bilhões entre janeiro e junho deste ano.
“Só neste mês de junho o déficit é de U$ 434 milhões.

Temos de duas a três empresas com o processo de produção parado, mas, por enquanto, as empresas de transporte são as mais prejudicadas”, avalia Riso. O Ciesp não informou quais empresas pararam a produção.

JustiçaO dirigente do Ciesp-Campinas não descarta a possibilidade das empresas recorrerem à Justiça .
“Não podemos mais ser prejudicados, mas preferimos que o governo federal cumpra o acordo”, completa.

500 empresasA regional Campinas do Ciesp concentra 500 empresas em 19 cidades e o faturamento anual é de R$ 37,18 bilhões. As indústrias empregam nesta região 91,1 mil trabalhadores.

O presidente da Delegacia Sindical dos Auditores em Campinas, Bruno da Rocha Osório, disse que as empresas que mais têm sido prejudicadas com o protesto dos auditores são as que trabalham com estoque baixo.
Em Viracopos, são 120 servidores que operam nos setores de carga e de passageiros, além de trabalhos internos que não interferem no atendimento de passageiros e empresas.

O protesto tem prejudicado até autônomos que trabalham no setor de cargas eventualmente. “Quando eles fazem protesto eu posso ficar sem o meu lucro”, disse um auxiliar de serviço, que pediu para não ser identificado.

Segundo ele, em um dia o ganho pode chegar R$ 200, auxiliando o trabalho de carga e descarga de mercadorias.PassageirosO protesto dos auditores fiscais atrasou em até duas horas a liberação de passageiros e bagagens de voos internacionais na manhã desta terça-feira.

Um dos voos chegou de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, às 5h55. Outro chegou de Orlando, também nos Estados Unidos, às 7h10.

A Concessionária Brasil Viracopos informou que um terceiro voo internacional chega às 17h50. A aeronave partiu de Lisboa, em Portugal.

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Fonte: G1