A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) arrecadou R$ 160,6 milhões com a multa na conta de quem aumentou o consumo de água no primeiro trimestre de 2016. No mesmo período, a Sabesp deixou de faturar R$ 153,8 milhões por causa do desconto na fatura. Os dados foram divulgados na noite de quinta-feira (12), na página na internet da empresa voltada a investidores.

Desde fevereiro, um novo cálculo dificultou a adesão de clientes ao programa de bônus, oferecido desde o início da crise hídrica para quem economizasse água. Foram dois meses seguidos em que a arrecadação com a multa superou as perdas da companhia com o bônus este ano.

Em 2015, no entanto, o balanço foi inverso. A Sabesp pagou R$ 926,1 milhões em bônus, e recebeu R$ 499,7 milhões por causa da tarifa de contingência.

O desconto e a multa foram algumas das medidas adotadas pelo governo paulista a partir de 2014 para o combate à crise hídrica no estado. O Sistema Cantareira, responsável por abastecer 7,4 milhões de consumidores no estado, operou no volume morto por 19 meses e só saiu do “vermelho” em dezembro de 2015.

O fim da concessão de bônus e aplicação da tarifa de contingência ocorreram no primeiro mês de estiagem no estado, em abril deste ano.
Segundo a Sabesp, a decisão pela suspensão do programa foi tomada depois que a situação hídrica atual permitiu uma maior previsibilidade sobre as condições dos mananciais.

O diretor econômico-financeiro e de relações com investidores da Sabesp, Rui de Britto Affonso, disse durante conferência com investidores, no fim de março, que a cobrança de multa para os clientes que tivessem aumento no consumo de água nunca teve caráter arrecadatório.
“O objetivo tanto de um quanto de outro [bônus e multa] era ajustar a demanda de água com a oferta.

Em nenhum momento nós tivemos o objetivo arrecadatório com a tarifa de contingência. Tanto não é assim que no primeiro mês que a tarifa de contingência supera o bônus, nós protocolamos o pedido de suspensão de ambos”, afirmou Rui de Britto Affonso.

Retomada do lucroApós quedas anuais consecutivas, a Sabesp conseguiu dobrar o lucro no primeiro trimestre de 2016, na comparação com o mesmo período do ano passado. O relatório divulgado na noite de quinta-feira na página voltada a investidores da empresa apontou que nos três primeiros meses de 2016 foi registrado lucro de R$ 628,8 milhões, ante um lucro de R$ 318,2 milhões entre janeiro e março de 2015.

A receita operacional líquida da Sabesp também totalizou R$ 3 bilhões no primeiro trimestre de 2016, um acréscimo de 22,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Os custos e despesas, que consideram os custos de construção, totalizaram R$ 2,4 bilhões, um acréscimo de 76,3% quando comparado ao R$ 1,4 bilhão apresentado no primeiro trimestre de 2015.

Reajuste nas tarifasNo mês seguinte à suspensão da concessão de bônus e aplicação da multa, a Sabesp reajustou as tarifas de água e esgoto em 8,4%. A medida está em vigor desde quinta-feira e vale para todos os clientes da empresa – residencial, comercial, industrial e pública com contrato, além das tarifas sociais.

O aumento corresponde à inflação anual medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre março de 2015 e o mesmo mês em 2016, que chegou a 9,3%, menos um percentual de eficiência (0,9%).Com o reajuste, o cliente residencial da Região Metropolitana de São Paulo que consome, por exemplo, até 10 metros cúbicos (m³) de água pagará taxa fixa de R$ 22,38.

Entre 11 m³ e 20 m³, o valor do metro cúbico será de R$ 3,50. Já com o consumo acima de 21 m³, o cliente pagará R$ 8,75 o metro cúbico.

Um metro cúbico equivale a 1 mil litros (veja novas tarifas abaixo).
Em junho do ano passado, as tarifas já tinham sido reajustadas em 15,24%.

Neste caso, foi considerado não só a variação do IPCA, mas também um aumento extra por causa das perdas que a Sabesp alegou sofrer em razão da crise hídrica em São Paulo. Os reajustes, no entanto, não conseguiram livrar a Sabesp da queda de 40,6% no lucro líquido entre 2014 e o ano passado.

NOVAS TARIFAS DE ÁGUA E ESGOTO DA SABESP – GRANDE SÃO PAULORESIDENCIAL SOCIALÁGUAESGOTO
0 a 10 metros cúbicos
R$ 7,59/mês
R$ 7,59/mês
11 a 20 metros cúbicos
R$ 1,31 por metro cúbico
R$ 1,31 por metro cúbico
21 a 30 metros cúbicos
R$ 4,64 por metro cúbico
R$ 4,64 por metro cúbico
31 a 50 metros cúbicos
R$ 6,62 por metro cúbico
R$ 6,62 por metro cúbico
acima de 50 metros cúbicos
R$ 7,31 por metro cúbico
R$ 7,31 por metro cúbico
 
 
 RESIDENCIAL NORMALÁGUAESGOTO
0 a 10 metros cúbicos
R$ 22,38/mês
R$ 22,38/mês
11 a 20 metros cúbicos
R$ 3,50 por metro cúbico
R$ 3,50 por metro cúbico
21 a 50 metros cúbicos
R$ 8,75 por metro cúbico
R$ 8,75 por metro cúbico
acima dos 50 metros cúbicos
R$ 9,64 por metro cúbico
R$ 9,64 por metro cúbico
 
 
 COMERCIAL E INDUSTRIALÁGUAESGOTO
0 a 10 metros cúbicos
R$ 44,95/mês
R$ 44,95/mês
11 a 20 metros cúbicos
R$ 8,75 por metro cúbico
R$ 8,75 por metro cúbico
21 a 50 metros cúbicos
R$ 16,76 por metro cúbico
R$ 16,76 por metro cúbico
acima dos 50 metros cúbicos
R$ 17,46 por metro cúbico
R$ 17,46 por metro cúbico
 
 
 (Fonte: Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo – Arsesp)Alternativa ao bônusA Sabesp defende que mesmo sem o bônus os clientes podem pagar menos na conta, desde que haja o consumo consciente. Segundo a companhia, quanto mais baixo o uso da água, mais barato é o valor do metro cúbico da água porque a estrutura de cobrança é progressiva.

Com o reajuste de 8,4% nas tarifas, o cliente residencial da Região Metropolitana de São Paulo que consome, por exemplo, até 10 metros cúbicos (m³) de água pagará taxa fixa de R$ 22,38, ou seja, R$ 2,23 por metro cúbico. Entre 11 m³ e 20 m³, o valor do metro cúbico é de R$ 3,50.

Já com o consumo acima de 21 m³, o cliente pagará R$ 8,75 o metro cúbico. Um metro cúbico equivale a 1 mil litros.

Vista da represa Jaguari-Jacareí,­ na cidade de Piracaia, no interior de Sao Paulo, integrante do Sistema Cantareira, no dia 25 de abril de 2016 (Foto: Luis Moura/WPP/Estadão Conteúdo)
.

Fonte: G1