O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reuniu nesta quarta-feira (27) e optou por manter novamente os juros básicos da economia estáveis em 14,25% ao ano – o maior patamar em quase dez anos.Essa foi a sexta manutenção seguida dos juros pelo BC, que parou de subir a taxa Selic em setembro do ano passado. A decisão confirmou a expectativa dos economistas do mercado financeiro, que apostavam maciçamente em manutenção dos juros básicos da economia.

Veja a repercussão da decisão:Fernando Bergallo, diretor da assessoria de câmbio FB Capital.“Embora a inflação esteja muito acima da meta não acho que seja consenso entre os economistas de que não há espaço para cair.

Minha opinião pessoal é o contrário disso. A questão de juros altos para conter a inflação é pura balela.

Estamos em recessão e não é o excesso de demanda que está causando a inflação, então penalizar o crescimento econômico com juros altos para combater inflação é papo furado. No nosso entendimento, os juros têm que começar a cair logo.

Fica difícil ver essa possibilidade com essa equipe. Se mudar o comando do BC e colocar uma direção com viés mais ortodoxo, acho que tem grandes chances de colocar esse entendimento dentro do BC.

Juro alto não está fazendo papel de controlar inflação, mas de equilibrar a balança e trazer capital especulativo para cá pelos juros. Não atende à necessidade do país nem da população”.

Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical”A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) é extremamente perversa para com os trabalhadores. Ao manter a taxa, o Copom continua colocando uma trava no desenvolvimento e no crescimento econômico do País.

A decisão é um verdadeiro balde de água fria na economia, que já está paralisada. Mais uma vez, o governo se curva e reverencia a especulação”.

Confederação Nacional da Indústria (CNI)”A manutenção dos juros básicos da economia em 14,25% ao ano, definida nesta quarta-feira, 27 de abril, pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), dificultará a recuperação da economia e deteriorará ainda mais as condições financeiras das empresas (..

.) Na avaliação da indústria, a decisão do Banco Central provavelmente reflete o ambiente de incerteza política que domina a economia.

Isso porque o aprofundamento da recessão, a valorização do real frente ao dólar e a desaceleração da inflação justificariam o início do processo de queda dos juros”.Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)“Entendemos que, ao optar pela manutenção da taxa de juros, o Banco Central age com cautela, por estar na expectativa por alterações na política econômica, decorrentes de uma provável mudança de governo.

Mas o BC poderia ter dado início a uma diminuição da Selic, tendo em vista os sinais de desaceleração da inflação”.
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Fonte: G1