Ministro Eliseu Padilha deu entrevista coletiva no Palácio do Planalto (Foto: Filipe Matoso/G1)
O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou nesta quarta-feira (20) que, embora a palavra final sobre a taxa de juros seja do Banco Central, o presidente da República em exercício, Michel Temer, vê “com bons olhos” uma eventual redução.
O Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por fixar a Taxa Selic, decidirá nesta quarta se mantém, reduz ou eleva a taxa, atualmente em 14,25% ao ano, a maior dos últimos dez anos. Esse será a primeira reunião do Copom presidida por Ilan Goldfajn, novo presidente do Banco Central.

Padilha deu a declaração sobre a taxa de juros após ser questionado por jornalistas sobre se Temer havia pedido ao BC para reduzir a Selic.
“Se analisarmos todos os indicadores, vamos ver que os economistas do Brasil estão dizendo que forçosamente teremos queda nos juros.

Isso agrada o presidente, e ele vê com bons olhos se nós pudermos [reduzir a taxa Selic]. Mas temos que respeitar a autonomia do BC.

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.] São economistas dizendo, agências de avaliação dizendo que o juro vai cair.

O presidente vê com bons olhos [uma eventual redução], mas a palavra final é do BC”, declarou Eliseu Padilha no Palácio do Planalto.Reunião do CopomMesmo pressionado pelo setor produtivo, por sindicalistas e pelo governo para iniciar o processo de corte dos juros básicos da economia, a expectativa do mercado financeiro é de que o Banco Central mantenha a taxa Selic estável em 14,25% ao ano – o maior patamar em dez anos.

A pressão é motivada pela forte recessão da economia brasileira, e a taxa de juros, mantida alta, encarece o crédito e, consequentemente, contribui para inibir o consumo das famílias e o investimento das empresas, fatores necessários para a retomada do crescimento. Por outro lado, os juros altos ajudam a desacelerar a inflação.

Para este ano, a mais recente previsão do mercado financeiro é de um tombo de 3,3% no Produto Interno Bruto (PIB), após um recuo de 3,8% ano passado – o maior em 25 anos.
Para 2017, a previsão de alta de cerca de 1% ainda é considerada insuficiente para reverter de forma mais forte o quadro de desemprego do país.

Mesmo assim, Ilan Goldfajn informou, no fim de junho, que buscará atingir a meta central de inflação de 4,5% em 2017 – o que pressupõe um atraso maior no processo de queda dos juros. A inflação corrente do país ainda está elevada.

Em 12 meses até junho, o índice somou 8,84%, distante do objetivo central de 4,5% para o próximo ano.
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Fonte: G1