Passeata contra demissões na Mercedes foi realizada nesta quarta-feira (17), em São Bernardo do Campo (Foto: Adonis Guerra / SMABC / Divulgação)
Trabalhadores da Mercedes-Benz fizeram um protesto nesta quarta-feira (17), em São Bernardo do Campo, contra demissões. Com a fábrica de caminhões e ônibus parada, a empresa está comunicando funcionários que irá rescindir contratos de trabalho.
A fabricante ainda não informou quantos trabalhadores serão demitidos.

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, 7 mil pessoas participaram da manifestação. O G1 consultou a Polícia Militar e ainda não havia um número oficial da autoridade.

Os cortes só podem ser feitos a partir de setembro, pois, devido à adesão de toda a fábrica ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE), entre setembro do ano passado e o fim de maio deste ano, os funcionários têm estabilidade até 31 de agosto.Fábrica paradaA empresa suspendeu a produção da fábrica de caminhões e ônibus por tempo indeterminado a partir de segunda-feira (15).

A medida foi anunciada na última sexta (12) e ocorre cerca de 10 dias depois de a montadora dizer que iria demitir na unidade.
Praticamente todos os 10 mil colaboradores estão em licença remunerada, com exceção dos que exercem funções essenciais.

A Mercedes informou que há um excedente de mais de 2 mil trabalhadores na unidade em virtude da “drástica redução de vendas de veículos comerciais nos últimos anos”.Trabalhadores da Mercedes-Benz pedem a renovação da frota (Foto: Adonis Guerra / SMABC / Divulgação)Carta fala em demissõesSegundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que representa as fábricas de São Bernardo do Campo, a Mercedes enviou na última sexta um comunicado aos funcionários, explicando a decisão de parar a produção.

A carta termina com a frase: “Na próxima semana informaremos a data de retorno de nossas atividades e individualmente a todos os envolvidos sobre o encerramento de seus contratos de trabalho”.HistóricoDesde fevereiro, cerca de 1,8 mil funcionários da Mercedes já estavam em licença, também por tempo indeterminado.

Na mesma época, a montadora tentou reduzir o quadro de funcionários com um Programa de Demissão Voluntária (PDV), mas a adesão ficou abaixo do que a empresa esperava, chegando a 630 funcionários.
Antes disso, a unidade de São Bernardo passou 6 meses no PPE, com jornada e salários reduzidos.

A montadora decidiu não negociar uma prorrogação da medida, diferente do que ocorreu na Volkswagen, por exemplo.
A montadora disse que não há previsão de nenhuma medida restritiva na outra fábrica de caminhões do grupo, em Juiz de Fora (MG).

Nas últimas segunda (8) e terça (9), houve paralisações na unidade durante a negociação de benefícios. As conversas serão retomadas em setembro.

Setor em criseNo acumulado entre janeiro de julho deste ano, a venda de caminhões e ônibus caiu 32% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Foram emplacadas 39.

021 unidades, ante 57.349 nos primeiros sete meses do ano passado.

.

Fonte: G1