Aplicativo Uber é mostrado em smartphone (Foto: AFP)
Motoristas do Uber no Distrito Federal vão passar a aceitar pagamento em dinheiro a partir da próxima quarta-feira (17). A medida se dará duas semanas após o governo do DF sancionar uma lei que aprova o serviço nas ruas da cidade. Segundo a empresa, a novidade vai começar disponível para uma pequena parcela dos usuários, sendo disponível para todos em até um mês.

“Há pouco mais de um mês, fizemos uma pesquisa pra entender melhor o mercado. Vimos no Nordeste que 60% dos cadastros novos ‘paravam’ na hora de colocar o cartão de crédito”, afirmou ao G1 o diretor de comunicação do Uber, Fábio Sabba.

Com isso, a empresa implantou o pagamento também em dinheiro em Recife, Salvador, Fortaleza, São Paulo e Belo Horizonte.Para facilitar o acesso do cliente, o motorista vai ser obrigado a levar troco consigo.

“O ponto principal de abrir novas formas de pagamento é que a plataforma fica mais inclusiva”, continuou Sabba. O Uber fica com uma taxa de 25% sobre o valor da corrida.

Essa taxa sobre o montante que o motorista receber em espécie será descontada do pagamento semanal.
A empresa não declara a quantidade de motoristas que prestam serviço no DF nem o faturamento.

Motorista do Uber posa para foto ao lado de seu carro (Foto: Fábio Tito/G1)Previsto em leiA lei que prevê o Uber localmente não tem restrições às modalidades mais baratas ou ao número de motoristas. No anúncio da sanção, o governador afirmou que houve apenas “pequenos vetos” e que o projeto é praticamente “autoaplicável”, sem necessidade de modificações.

“Fizemos alguns pequenos vetos, visando menos burocracia e menos encarecimento para a população. Sabemos que todas mudanças geram reações, geram impactos.

Na regulamentação inicial, não vamos fazer nenhum tipo de limitação ao uso dos aplicativos”, afirmou Rollemberg.Entre os vetos, o governador barrou a obrigatoriedade de o motorista ser dono do carro e de precisar apresentar um atestado de moradia.

Com a sanção, Rollemberg comentou que espera uma melhoria no serviço de táxi estimulada pela concorrência e que aposta em uma eficiência maior da Lei Seca.
Os deputados distritais ainda podem derrubar os 13 vetos de Rollemberg.

Para isso, são necessários 13 votos – apoio de metade dos 24 distritais mais um. Assim, o trecho “derrubado” passa a valer mesmo sem o acordo do governador, que pode recorrer à Justiça para barrá-lo.

Uber opera em mais de 60 cidades na China. (Foto: Reuters)Relembre o casoO projeto de lei foi aprovado pela Câmara Legislativa no fim de junho, após duas semanas de intenso debate.

De um lado, defensores dos taxistas pediam uma lei mais restritiva, que proibisse a versão popular dos aplicativos (como o UberX) e limitasse o número de licenças. Do outro, deputados pró-aplicativos defendiam um texto menos restrito, com todas as modalidades e motoristas “à vontade”.

A lei aprovada pela Câmara autoriza a versão popular do serviço e permite que os próprios taxistas usem os apps, desligando o taxímetro para pegar as corridas. O texto também permite a criação de um “táxi executivo”, categoria mais cara e com serviços de luxo.

Durante a tramitação na Câmara, deputados chegaram a incluir no texto uma “barreira” para a expansão do serviço. A emenda previa que o número total de Uber deveria ser igual à metade do número de licenças de táxi.

Hoje, o DF tem 3,4 mil taxistas e cerca de 6 mil motoristas no Uber.
Após horas de debate inflamado entre os parlamentares, a existência de um limite para os aplicativos foi apenas sugerida no texto – segundo o texto final, cabe ao próprio Palácio do Buriti calcular o número ideal.

A permisão do UberX não era prevista no projeto de lei formulado pelo Palácio do Buriti, enviado à Câmara em novembro. Segundo o governo, a ideia era que o Uber fosse um serviço “de elite” e não competisse diretamente com o táxi.

A diferenciação foi rejeitada pela Câmara, que determinou a permissão de todas as modalidades de Uber e apps similares.Sem legislaçãoEm junho do ano passado, a Câmara do DF chegou a aprovar um projeto do deputado Rodrigo Delmasso (PTN) que vetava completamente os aplicativos.

O governador Rodrigo Rollemberg vetou o texto na íntegra e criou um grupo de trabalho para analisar o tema.
Na época, Rollemberg disse que o projeto tinha vários vícios de inconstitucionalidade.

Desde então, com o veto da lei, ficou valendo o artigo 231 do Código Brasileiro de Trânsito, que prevê necessidade de autorização estatal para qualquer transporte privado de passageiros.
“Nós sabemos que as novas tecnologias têm criado um paradigma nessa relação do transporte individual de passageiros.

Nós não podemos fechar os olhos para essa nova realidade. Mas precisamos regulamentá-la”, afirmou Rollemberg, à época.

AgressõesQuestionado sobre casos de agressão entre taxistas e motoristas do Uber, Sabba disse que a sanção da lei que chancela a empresa no DF vai dar liberdade ao cliente. “O que a gente acredita é que essa lei vem para garantir ao usuário o jeito de escolher a forma com que quer andar na cidade”, disse.

Casos de violência entre os motoristas se tornaram corriqueiros no Distrito Federal. No dia 21 de junho, momentos antes da votação do projeto na Câmara Legislativa, um taxista atirou um rojão contra motoristas do Uber em frente à Casa.

No mês anterior, quatro irmãos foram perseguidos, encurralados e espancados por taxistas depois de serem confundidos com motoristas do Uber na noite em Brasília. Eles haviam acabado de desembarcar no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek e seguiam de carro para Ceilândia.

Esse conflito aconteceu pouco depois de representantes dos serviços de transporte trocarem agressões em um posto de combustível vizinho ao terminal, quando taxistas e motoristas do Uber se ofenderam em frente à 5ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte.
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Fonte: G1