Em uma luta, apostamos que aquele com maior força física será o vencedor do combate, mas as aparências enganam, pelo menos quando estamos falando do peixe-zebra. Cientistas descobriram que quando se trata desse peixinho, a mente controla a matéria. Isso porque no cérebro deste animal existem duas conexões de neurônios que influenciam diretamente em quem vai ganhar ou perder a briga.
Pesquisadores do Riken Instituto das Ciências do Cérebro, no Japão, publicaram uma pesquisa na revista Science mostrando os resultados da análise dos cérebros dos peixes-zebras ao se enfrentarem e suas decisões durante o combate.
A luta é uma atividade de grande importância para os animais, por manter uma estrutura no grupo e até influenciar no processo reprodutivo, onde o macho vencedor é o que fica com a fêmea.
Para compreender o que acontece no cérebro daqueles que ganhavam as batalhas e também dos perdedores, os cientistas se concentraram na habênula, a região do cérebro que regula os comportamentos durante uma briga ou fuga –estrutura presente no cérebro de outros vertebrados, como os humanos.
Os pesquisadores isolaram dois peixes-zebras machos por 24 horas e depois os colocaram juntos em um tanque para brigar.
Durante o confronto, foi possível descrever o padrão de combate dos peixes, que se baseia em sinalizar, dar voltas em torno do inimigo, morder e, por fim, um deles se entrega.
Após a briga, os cientistas notaram que dois específicos circuitos neurais (conexões entre neurônios) na região da habênula estavam fortemente envolvidos na luta, em uma interação complexa que influenciava o resultado da batalha.
Um dos circuitos foi associado à rendição e o outro à agressão. Assim, a quantidade de atividade em cada circuito neural fazia com que o peixinho ficasse mais agressivo ou abandonasse a briga.
Os pesquisadores foram então capazes de prever os resultados das lutas analisando apenas os níveis de atividade em cada um dos circuitos, sem nem levar em conta o tamanho do peixe-zebra.
Para comprovar que cada circuito impulsionava uma reação diferente na briga, os pesquisadores manipularam geneticamente os peixes: em alguns deles a “via do vencer” (que fica no circuito do meio) foi inibida, enquanto nos outros a “via do perder” (no circuito do lateral) foi inibida.
O resultado identificou que aqueles que não tinham a “via do vencer” eram muito mais propensos a perder as batalhas, mesmo tendo tamanho e nível de agressão parecidos com os dos oponentes. Já os sem a “via do perder”, não desistiam das brigas até ganharem o confronto.
O professor que orientou a pesquisa, Hitoshi Okamoto, afirmou que a atividade nos circuitos da habênula são dinâmicas durante a luta, e concorrem entre as sub-regiões laterais e médias. Quando um limite de atividade é atingido, ele estimula o peixe para ser o vencedor ou o perdedor, continuando com a agressão ou se rendendo.
O estudo foi comprovado apenas em peixes, mas pode ser que o mesmo mecanismo exista em humanos, uma vez que esses circuitos neurais estão presentes em todos os vertebrados. Mas ainda é preciso aprofundar os estudos para confirmar a relação.