O provável candidato do Partido Libertário à presidência dos EUA, Gary Johnson, concede entrevista à agência AFP em Washington, DC, na segunda (9) (Foto: Nicholas Kamm/AFP)
Além dos muito provavelmente candidatos Hillary Clinton e Donald Trump, os americanos talvez tenham uma terceira opção quando forem às urnas em 8 de novembro: o candidato do Partido Libertário, que poderá ser o ex-republicano Gary Johnson.
Para isso, é preciso ganhar a indicação de seu partido, em 16 de maio próximo, contra outros 16 candidatos.
Ex-governador do Novo México, Johnson já havia se apresentado sob a mesma sigla em 2012, quando obteve apenas 1% dos votos.

Este ano, o cenário é diferente: para superar o índice obtido há quatro anos, Johnson tem a seu favor o caos provocado pela vitória de Donald Trump nas primárias republicanas e os problemas de imagem da democrata Hillary Clinton.
“Sou o candidato tudo em um”, explicou Johnson à AFP em Washington, nesta segunda-feira (9).

“Estou à esquerda de Hillary em questões de sociedade e sou mais conservador do que Ted Cruz em questões econômicas. Represento o melhor dos dois mundos”, completou.

Nos Estados Unidos, a corrente libertária (“libertarian”, em inglês) é pequena, mas persistente. É a favor da liberdade individual e da redução do papel do Estado federal na economia.

O ex-congressista republicano Ron Paul foi uma de suas figuras mais conhecidas.
Apostar nessa mensagem para eleições presidenciais em um sistema bipartidário é complicado.

Para se candidatar à Casa Branca, é preciso se inscrever em separado em cada um dos 50 estados. E cada um tem procedimentos diferentes.

Por isso, historicamente são poucos os partidos que têm os meios para apresentar um terceiro candidato.
Em 2012, Gary Johnson estava incluído nas folhas de votação de 48 estados, mas este ano o partido deve figurar nas 50 unidades da federação.

O Partido Verde tenta fazer o mesmo.
O maior problema de Johnson é que ele sequer aparece nas pesquisas.

Uma sondagem feita em março pela Universidade Monmouth, que incluía a hipótese de que as eleições fossem entre Trump, Hillary e Johnson, este último obteve 11% das intenções de voto, contra 42% para a ex-secretária de Estado e 34% para o magnata do setor imobiliário. Nessa enquete, a margem de erro é de 3,4 pontos.

“O fato de meu nome não aparecer nas pesquisas mostra até que ponto o jogo está truncado”, disse Johnson à AFP.
O candidato apresentou uma queixa contra a comissão que organiza os debates presidenciais, por ter advertido que convidaria apenas aqueles com mais de 15% das intenções de voto.

A última vez que um terceiro candidato participou desses debates foi em 1992 com o milionário e independente Ross Perot.
Gary Johnson espera contar com os votos dos republicanos que manifestaram sua consternação com o avanço de Trump.

Personalidades conservadoras como Mitt Romney e Jeb Bush juraram que não votarão nem em Trump nem em Hillary nesta eleição.
“Não, não iremos bater nas portas, mas esperamos que venham bater na nossa”, disse Johnson.

Outro desafio é que ele não conta com muitas doações. No final de março, sua conta de campanha tinha apenas US$ 35 mil contra os US$ 29 milhões de Hillary.

“Um passo de gigante seria aumentar para US$ 50 milhões..

. mas não é o caso por enquanto”, comentou.

Ainda assim, Gary Johnson diz que tentará buscar a atenção dos milhões de eleitores que se declaram independentes.
“Os republicanos deveriam querer menos Estado, mas fizeram o contrário.

Seja qual for o partido no poder, nada muda, mas as pessoas sabem que temos de reduzir nossos gastos”, criticou.
Em relação aos democratas, condena sua timidez sobre o tema migratório e sua responsabilidade na superlotação dos presídios.

Johnson quer abrir as fronteiras e legalizar a maconha. Até janeiro deste ano, foi diretor-geral de uma empresa de produtos do cânhamo, a Cannabis Sativa.

Em Política Externa, é totalmente contra intervenções em outros países.
“Se atacarem os Estados Unidos, nós atacaremos, mas vamos parar de ser imperialistas”, condenou.

Sobre uma possível chapa com Trump, ou com Hillary, descartou.
“Estou a 180 graus de Donald Trump, e Hillary Clinton nunca me escolheria.

Sou realista”, concluiu Gary Johnson.
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Fonte: G1