Homem de 30 anos foi preso no apartamento da mãe adotiva em Juiz de Fora nesta quinta-feira (Foto: Roberta Oliveira/G1)
Um homem de 30 anos foi preso nesta quinta-feira (14) em Juiz de Fora, em uma investigação de maus-tratos, agressões verbais e ameaças contra a mãe adotiva, de 65 anos. De acordo com a delegada de Mulheres, Ione Maria Moreira, há várias ocorrências relacionadas ao caso, que é apurado há quase um ano. Segundo a delegada, o rapaz descumpriu medida protetiva, mantendo ameaças também contra os irmãos dela e a proprietária de uma pousada onde a idosa, que tem deficiência visual e doenças crônicas, mora atualmente.

Os nomes das vítimas e da pousada foram preservados pela polícia.
“A medida protetiva não foi suficiente para coibir a agressividade e as ameaças dele.

Por isso, pedimos a prisão preventiva e a Justiça atendeu”, disse Moreira. Contudo, ainda conforme a delegada, em depoimentos feitos ao longo da apuração do caso, o investigado negou todas as acusações.

Segundo Ione Moreira, agora há o prazo de dez dias para fechar o inquérito e enviar para a Justiça. “Vamos ouvir mais pessoas.

Momentaneamente, ele pode responder por maus-tratos, talvez cárcere privado e descumprimento da medida protetiva, o que já autoriza a decretação da preventiva. Também por agressão, ameaça a ela, aos familiares e à dona da pousada”, explicou.

AmeaçasDe acordo com a delegada, a apuração do caso começou em maio de 2015, a partir de denúncia anônima ao Disque-Denúncia Unificado (DDU), 181, sobre os problemas ocorridos em um bairro da região Nordeste da cidade. Investigadores foram até o local e confirmaram as denúncias a partir de relato de vizinhos, posteriormente confirmados pela idosa.

Ione Moreira terá dez dias para concluir o inquérito(Foto: Roberta Oliveira/G1)
“Segundo os depoimentos, o investigado morava com ela em um apartamento. Houve episódios onde ele saía sem dia e hora para voltar e deixava ela sozinha.

Ela é idosa, tem deficiência visual, faz hemodiálise e tem doenças crônicas. Em uma destas vezes, que ele saiu, ela desequilibrou e caiu dentro de casa e ficou três dias e três noites sem comer, sem medicação, porque não conseguia andar sozinha pela casa.

Mas uma hora conseguiu chegar a uma janela e pedir socorro aos vizinhos, que a resgataram”, acrescentou a delegada.
Ela foi encaminhada para um hospital, onde ficou internada, e pouco depois foi levada para uma pousada.

Por causa disso, foi solicitada pela Delegacia de Mulheres e determinada pela Justiça medida protetiva para afastar o filho da idosa. No entanto, ele não respeitou a decisão e mais uma vez causou transtornos à mãe adotiva.

“O investigado também ameaçou a dona da pousada onde a idosa está e diz ser bem cuidada. A proprietária nos procurou e afirmou que não tinha condições de manter a idosa no local por temer pela própria vida e as dos demais idosos que moram lá”, relatou.

Dois irmãos da idosa também confirmaram à delegada que tiveram problemas com o homem. “Eles já levaram a idosa para suas casas, no entanto, também foram ameaçados pelo investigado.

Agora eles não têm onde colocá-la, caso não fique na pousada ou na própria casa”, comentou Ione Moreira.
Se não ficasse na pousada, a única opção para a idosa seria voltar para o apartamento dela.

No entanto, o investigado reside no local. “Diante desta situacão, pedimos a prisão preventiva dele e o judiciário nos concedeu.

A nossa intenção é que, com a prisão dele, a dona aceite manter a idosa na pousada, onde recebe os cuidados especiais. E dar à mãe adotiva a opção caso queira voltar para a casa”, explicou.

A idosa relatou que o marido morreu há quatro anos e que teve problemas com o filho adotivo, que estaria envolvido com drogas desde os 15 anos. Ela também disse em depoimento que o homem causou restrições financeiras a ela.

“A idosa relatou que ele foi seu procurador, com plenos poderes, e fez empréstimos em nome dela, à revelia. Ela se encontra atualmente em condições financeiras precárias e não tem mais todo o salário disponível, porque recebe um terço da aposentadoria a que teria direito”, falou a delegada.

Apesar de o investigado negar todas as acusações, a delegada afirmou que os depoimentos ouvidos até agora na investigação apontam evidências. “Ela e as demais testemunhas são todas no mesmo sentido.

Tanto que a Justiça autorizou a prisão preventiva por acreditar que nao havia outro meio de cessar a agressão”, analisou.
O filho adotivo da idosa será encaminhado para o Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) em Juiz de Fora.

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