Carros em área de desembarque de Congonhas; fila-dupla é vista em vários momentos do dia (Foto: G1)
A área de desembarque do aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, tem registrado congestionamentos, carros parados em fila dupla e veículos com longos minutos com o sinal de alerta ligado à espera de passageiros. Segundo pessoas que trabalham e frequentam o local, o fenômeno se tornou mais frequente depois que o Uber e outros serviços semelhantes de transporte individual por aplicativo foram liberados na capital paulista.
A área também é frequentada por táxis e pelo público em geral, mas o G1 constatou nesta terça-feira (19) um movimento grande de usuários que pedem carros por aplicativo e se dirigem aos veículos parados em fila dupla.

O Uber opera desde fevereiro na cidade sem poder ser fiscalizado pela Prefeitura em razão de uma liminar que liberou o serviço. Além disso, o serviço se cadastrou para passar a operar de forma regular, após a Prefeitura publicar em maio um decreto regularizando esse tipo de serviço.

As empresas Easy Taxi e Cabify também estão cadastradas.
Os congestionamentos alcançam os dois sentidos da Avenida Washington Luís em horários de pico.

No acesso ao aeroporto, o trânsito fica mais intenso. Ao chegar próximo dos primeiros portões do aeroporto é possível ver um longo estacionamento em fila-dupla, com duas das quatro faixas sendo ocupadas por veículos que fazem embarque e desembarque.

Nesta terça-feira pela manhã, vários veículos que estavam na segunda faixa faziam o embarque ali mesmo. Tão logo os passageiros confirmavam em seus celulares que o carro que estavam esperando chegou, aguardavam apenas o motorista sair do carro e abrir o porta-malas para fazer o embarque ali mesmo.

A situação só melhorou por volta das 8h, quando agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) chegaram para reforçar os dois que atuavam no local no início da manhã. Às 9h, seis “marronzinhos” trabalhavam ao longo do trecho de desembarque.

Um deles afirmou ao G1 que o processo se intensificou nas últimas quatro semanas.
Segundo a CET, trata-se de um reforço na fiscalização que teria sido causado por um suposto aumento de demanda no movimento do aeroporto.

A CET informou ainda que mantém operação rotineira de trânsito no aeroporto de Congonhas, das 6h às 22h, para “coibir, principalmente, o estacionamento irregular e o embarque e o desembarque em fila dupla”.Marronzinhos fiscalizam estacionamento em fila dupla no aeroporto de Congonhas (Foto: G1)
O G1 abordou os motoristas em situação irregular no estacionamento, mas eles não quiserem dar entrevista.

A passageira Paola Mulazani, que esperou seu veículo estacionar corretamente, elogiou a rapidez do serviço. O Uber tinha informado que o veículo demoraria 10 minutos, mas demorou seis.

A situação vivida por ela não é uma constante, já que no horário de pico, os veículos costumam chegar depois do tempo estimado.
Já os taxistas criticam a postura do Uber e a forma que pega a entrega passageiros no aeroporto de Congonhas.

Segundo o taxista Manuel Palavras, os carros da Uber param até no andar debaixo do desembarque, que é restrito para taxistas. “Não sou contra os motoristas do Uber, mas aqui eles estão atuando como querem, sem respeitar regras, e a Prefeitura não está fiscalizando como deveria”, diz.

A Uber informou que considera importante que a sinalização e as leis de trânsito sejam respeitadas. “O motorista parceiro é orientado a pegar o usuário onde ele selecionar o início da viagem.

O sistema da Uber funcionará da mesma maneira – o motorista mais próximo do usuário recebe a solicitação de viagem”, disse a empresa.CredenciamentoDois meses após a publicação do decreto 58.

981, que regulamenta sua atividade em São Paulo, o Uber obteve nesta terça-feira (19) o credenciamento na Prefeitura e passa a operar regulamente na capital paulista. Com isso, as corridas feitas por meio do aplicativo ficarão mais caras a partir de quarta (20).

O credenciamento foi publicado no “Diário Oficial” do município desta terça. Para atuar dentro das regras da Prefeitura, o Uber terá de pagar uma outorga (que é uma espécie de taxa para o uso das vias da cidade) de R$ 0,10 por km.

De acordo com Fábio Sabba, diretor de comunicação do Uber, esse valor vai ser cobrado diretamente do passageiro. Dessa forma, as corridas ficarão mais caras.

“Em uma viagem de 5 km, vai dar 50 centavos a mais para o usuário. O passageiro vai pagar essa tarifa”, exemplificou.

O valor da outorga vai aparecer na tela do celular. “O preço [da corrida] se mantém o mesmo.

A única diferença é que vai ter lá o preço da chamada, o preço por km, o preço por tempo e mais um item, que vai ser a tarifa municipal, que vai ser 10 centavos por km”, afirmou Sabba.
O Uber não revela quantos carros tem credenciados porque considera que esse número é um segredo estratégico.

Diz apenas que deve crescer enquanto houver carros subutilizados que podem ser credenciados e potenciais passageiros interessados em conhecer o serviço.
A empresa diz apenas que em janeiro tinha cerca de 10 mil carros cadastrados em São Paulo e que existe uma meta de criar 50 mil oportunidades de renda ainda neste ano no país todo.

Como funcionaO decreto foi publicado em 10 de maio. Ele permite que empresas como Uber, chamadas Operadoras de Tecnologia de Transporte Credenciadas (OTTCs), comprem o direito de usar o viário da cidade, pagando outorga de 10 centavos por km rodado por cada um de seus motoristas parceiros.

O valor pode variar de acordo com o local, horário e prioridades estabelecidas pela administração.
Essas empresas devem se cadastrar na Prefeitura, se comprometer a abrir dados sobre suas operações ao município e fiscalizar a qualidade e a segurança do serviço.

Os dados compartilhados pelas empresas são acompanhados pela administração, que monitora o serviço.
Para limitar a atuação das OTTCs, a Prefeitura estabeleceu que elas podem rodar 27 milhões de km por mês, o equivalente ao que rodariam 5 mil táxis em tempo integral.

Esse valor de 27 milhões de km vai ser dividido entre todas as empresas que se credenciarem. O número de carros de cada uma delas pode variar.

A Prefeitura vai regular o consumo de quilômetros rodados por meio do preço da outorga: se as empresas rodarem demais, o preço da outorga aumenta, desestimulando o uso.
“O limitador é o preço.

A grande novidade desse modelo é regular pelo preço”, disse Rodrigo Pirajá Wienskoski, presidente da SP Negócios, a empresa responsável pela regulamentação dos aplicativos.
O decreto prevê que o dinheiro obtido com a arrecadação da outorga vai para investimentos em mobilidade urbana.

A empresa pode repassar o valor da outorga para o motorista, mas não é obrigada a fazer isso.
A Prefeitura exige que o motorista que trabalha com as empresas regidas pelo decreto tenha carteira profissional de habilitação com autorização para exercer atividade remunerada, Cadastro Municipal de Condutores de Táxi (Condutax) ou cadastro similar regulado pela Prefeitura.

Também exige que comprove aprovação em curso de formação com conteúdo mínimo a ser definido pela Prefeitura, contratação de seguro que cubra acidentes de passageiros (APP) e Seguro Obrigatório (DPVAT). E que se comprometa a prestar os serviços única e exclusivamente por meio dessas empresas e opere veículo com no máximo cinco anos de tempo de fabricação.

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Fonte: G1 Tecnologia