Durante as partidas de “Overwatch” é difícil se concentrar em uma coisa só. Em meio a personagens correndo pelas paredes, voando, se teletransportando ou viajando pelo tempo, às vezes é necessário relevar o mundo ao redor e jogar instintivamente. Mesmo com tanta coisa acontecendo, garanto que o sentimento será sempre o mesmo ao ouvir o herói Hanzo gritar “Ryuu ga waga teki wo kurau” (“O dragão vai comer meu inimigo”) de algum lugar escondido do mapa.

Veja vídeo acima sobre ‘Overwatch’.
Este é o grande mérito da primeira nova franquia da Blizzard em 18 anos e estreia da desenvolvedora no gênero de games de tiro em primeira pessoa.

A ação é frenética e o game pode não apresentar um modo história ou campanha, mas ainda consegue trazer à tona emoções sinceras.
Percebi isso ao assistir um dos quatro curtas lançados até o momento pela empresa para complementar a história dos 21 personagens do game, “Dragons”, focada na relação entre os irmãos Hanzo e Genji.

Quando dão os gritos utilizados pelos seus golpes mais fortes no jogo (os “ultimates”), me senti da forma como fico ao ouvir palavras durante um combate.
É notável que um game que oferece só modos de combate online entre jogadores consiga construir narrativas tão ricas com seus heróis.

Além dos quatro curtas de animação, outras seis histórias em quadrinhos estão disponíveis, mas no jogo é possível perceber a complexidade, desde poderes e design aos diálogos e às provocações.Parece PixarA Blizzard sempre demonstrou uma habilidade única em contar histórias, seja no gigantesco universo místico de “Warcraft” ou na mitologia sinistra de “Diablo”.

Com tanta bagagem, parece até estranho perceber que “Overwatch” é a primeira vez em que a desenvolvedora utiliza a Terra como inspiração. Talvez por isso o jogo pareça tanto algo realizado por outra especialista em narrativas, a Pixar.

Tracer usa o teletransportador de Symmetra (Foto: Divulgação/Blizzard)Um herói para cada jogadorCom tantos personagens controláveis portando os mais distintos poderes e 12 mapas, “Overwatch” consegue atrair vários perfis. Tanto quem gosta de correr direto para o meio da ação, quanto quem prefere ser furtivo ou passar a batalha curando seus aliados encontra no elenco um herói ideal para cada situação.

O ponto fraco reside nos modos de jogo. São quatro no total, mas um deles nada mais é que um híbrido de outros dois.

Cada partida dura em média sete minutos e é possível que alguns considerem os objetivos repetitivos após algum tempo.
Mesmo assim, não senti falta de uma opção offline.

O game aceita a alcunha de “tiro em primeira pessoa online” como um gênero em si e não há nada de errado com isso.Winton é um gorila super inteligente normalmente, mas perde a calma às vezes (Foto: Divulgação/Blizzard)Novos conteúdos vêm aí.

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A empresa está desenvolvendo novos conteúdos para o game, como mapas e heróis, que serão adicionados de forma gratuita e prometem manter a produção viva. Isso ajuda a garantir que os jogadores continuem batalhando por um bom tempo – ao contrário do que aconteceu com “Star Wars: Battlefront”, quase morto após alguns meses.

O equilíbrio nas partidas ainda é um pouco problemático, mas isso deve ser consertado. Os jogadores acumulam experiência para passar de nível, o que o sistema utiliza para montar as equipes.

Com versões para computadores, Xbox One e Playstation 4, “Overwatch” promete ter vida longa. Pouco mais de uma semana depois de seu lançamento, a procura por uma partida no PC não chega a durar um minuto – nos consoles tem durado um pouco mais – e ainda vejo muita gente interessada na reação positiva de quem já comprou o jogo.

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Fonte: G1 Tecnologia