Alex e Laura em cena do modo história de ‘Street Fighter V’ (Foto: Divulgação/Capcom)
O game de luta “Street Fighter V” ganha nesta sexta-feira (1º) o seu aguardado modo história, “A Shadow Falls”. Essa é a primeira vez que um jogo da série investe tempo em tentar explicar o seu enredo a fãs e desconhecidos de Ryu e companhia. A atualização é gratuita.

Além do modo história, “Street Fighter V” também ganha nesta sexta dois conteúdos pagos: os novos lutadores Ibuki e Balrog, que podem ser comprados com Fight Money (acumulado jogando “Street Fighter V”) ou com dinheiro real.
O G1 jogou o primeiro capítulo de “A Shadow Falls” em um teste no começo de junho.

E ele até pode agradar quem gosta do universo do game de luta. Mas pode ser sincero? É só porque é de graça.

Pelo menos durante o teste, o modo história de “Street Fighter V” foi uma experiência insossa. Os diálogos são fraquinhos, falta aquele entusiasmo que faz a história do rival “Mortal Kombat” ser tão legal, e as lutas não oferecem nenhum tipo de desafio ou narrativa que as diferenciem de uma partida comum contra a máquina.

Às vezes parece que os próprios lutadores do game estão entediados com o que está acontecendo na tela, que também repete uma insistência constrangedora em sexualizar as mulheres.Modo história de ‘Street Fighter V’ mostra heróis Guile, Chun-Li e Cammy em plano para impedir M.

Bison (Foto: Divulgação/Capcom)Senta que lá vem história”A Shadow Falls” parte do pressuposto que você jogou as introduções de cada um dos lutadores do jogo – o que você até deve ter feito, mas provavelmente não se lembra mais de tão insignificantes que são – e mostra Ryu, Cammy, Guile e Chun-Li em uma missão para frustrar o plano do vilão M. Bison de ativar um grupo de satélites chamado “7 Black Moons” (7 Luas Negras).

O objetivo? Ter poder completo sobre o mundo, é claro.
O esquema lembra o de “Mortal Kombat”.

Algumas cenas geradas pelo próprio motor gráfico do game encaminham a história, e em determinados momentos você assume o papel de vários dos lutadores do elenco – incluindo os vilões. Mas as similaridades param por aí.

Em “SF V”, não existe um encadeamento de eventos convincente. Depois de uma luta como Ryu, por exemplo, passei a controlar Necalli.

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que eu tinha acabado de derrotar com o homem do hadoken. Achei estranho.

Um dos pontos altos dos modos história de “Mortal Kombat”, alem da história bem escrita, é poder testar lutadores que em condições normais você talvez não fosse selecionar. Isso ajuda a aprender pelo menos um pouco sobre cada um, historicamente e mecanicamente.

Mas as lutas aqui são tão rápidas, com duração (ao menos no teste) de apenas 1 round, que não dava tempo de pensar em tentar entender algo sobre o novato Rashid. Isso somado ao fato de, em nenhum momento, poder disputar mais de uma partida seguida com o mesmo personagem.

Não dá nem para se familiarizar.Sexualização das personagens mulheres em ‘Street Fighter V’ é exagerado, desnecessário e incomoda (Foto: Divulgação/Capcom)CapcomOutra característica que incomoda bastante é o viés sexualizado das cenas.

“Street Fighter” é uma série conhecida pelo exagero, pelos corpos voluptuosos, tanto de homens como de mulheres. Mas algumas das tomadas do modo história de “SF V” chegam a dar vergonha.

Tem close na bunda da Cammy quando ela topa com o Guile; tem foco nos seios da Chun-Li quando ela está prestes a lutar com M. Bison; e até uma insinuação carnal entre as duas, com direito a gemidinhos e troca de olhares só porque Cammy salva Chun-Li da morte eminente.

Porque é óbvio..

. resgate = garantia de ir pra cama.

Não há justificativa para esse tipo de abordagem porque ela se mostra completamente desnecessária. Não sei nem se esse tipo de tática ainda tem algum apelo com os mais jovens – poderia ser uma desculpa, perversa!, mas poderia.

Mas com os adultos pode ter certeza: tanto não cola como incomoda e empobrece a história que o jogo (ou filme, ou whatever) estiver tentando contar.
Se você já tem o game da Capcom, eis aí um conteúdo que chega de bandeja e pode te fazer voltar a jogar – ou só deixar as batalhas online um pouco de lado, para variar.

E em meio a ondas de DLCs pagos cada vez maiores, é sempre bom levar alguma coisa de graça.
Mas a impressão que o primeiro capítulo deixa é que sim, o modo história de “Street Fighter V” foi uma resposta às pressas (e mais uma vez incompleta, inacabada) às duras críticas feitas à versão inicial do game, bem crua em termos de conteúdo e com vários problemas de conexão.

Se você ainda não tem “Street Fighter V” e estava esperando por mais para se decidir, sinto dizer que não é isso que vai justificar a compra.
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Fonte: G1 Tecnologia